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Colocadas em confronto desde tempos imemoriais, surpreendem
manifestações que retiram ambas dessa condição e as colocam na dimensão de
complementação. Segundo o teólogo João Artur Müller da Silva, foi isto que
aconteceu recentemente, quando Michael Heller, 72 anos, de formação
religiosa, com estudos em Filosofia e doutorado em Cosmologia, recebeu em
maio, em Londres, o prêmio Templeton, outorgado pela fundação homônima de
estudos religiosos, sediada em Nova York.
Michael Heller rejeita a idéia de que religião e ciência são
contraditórias. Ele afirma: “A ciência nos dá o conhecimento, e a religião
nos dá o sentido. Ambas são pré-requisitos para uma existência decente”. Em
outra declaração, ele diz: “Invariavelmente eu me pergunto como pessoas
educadas podem ser tão cegas para não ver que a ciência não faz nada além de
explorar a criação de Deus”.
O fotógrafo americano David LaChapelle, 44 anos, é famoso
pelos serviços prestados às principais marcas multinacionais, como Motorolla
e Siemens. Ele declarou recentemente que a beleza do ser humano é prova da
existência de Deus. “Meus novos trabalhos têm isso como inspiração. Não
importa no que estou concentrado. Quero que a imagem que produzo revele a
beleza”, afirma LaChapelle.
Às vezes, precisamos de textos iluminados para nos ajudarem
na compreensão melhor dos mistérios do mundo que nos cerca, e cuja beleza é
cantada em prosa e verso como se estivesse aí como obra do acaso.
Assisto diariamente ao amanhecer, o sol surgindo no
horizonte, e me encanto com a magia desse momento, sempre em cenário
diferente, afugentando as trevas da noite que bate em retirada para um novo
dia surgir, repleto de luz, ao som de sinfonia encantadora de pássaros,
insetos e animais, exceto o homem, coroa da criação, dormindo ainda ou já
imerso na preocupação com as lides do dia.
A vida é espetáculo que se renova graciosamente todos os
dias, só que a maioria deixa-o passar, e não se dá o tempo de curtir a
beleza que está em cada criatura e na natureza toda.
É inenarrável o encanto do desenvolvimento da criança nos
primeiros meses e anos de vida, a descoberta de cada coisa, a apreensão do
mundo, o fascínio pela novidade, a candura, a graça e a naturalidade com que
reage diante das circunstâncias, sem se preocupar com convenções ou
preconceitos, até porque não os conhece.
Este desabrochar contém a essência da vida, o mistério divino
que se revela na face de cada ser humano, no brilho do olho, no sorriso
encantador, nos sons incompreensíveis e nas primeiras palavras balbuciadas,
na inesgotável busca de apreensão da linguagem.
Ficar querendo encontrar argumentos e provas para absolutizar
a Ciência em detrimento da Religião é lamentável, porque em tudo está a
prova da existência de Deus. Fiquemos para meditar com o pensamento de
Albert Einstein: “A coisa mais bela que podemos experimentar é o mistério. É
a emoção fundamental que está no berço da verdadeira arte e da verdadeira
ciência. Aquele que não conhece o mistério e não pode mais se surpreender,
não pode mais se maravilhar, é como se estivesse morto, como se fosse uma
vela apagada.”
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