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"Não existe uma célula sozinha. Ela é parte de um tecido, que
é parte de um órgão, que é parte de um organismo, que é parte de um nicho
ecológico, que é parte de um ecossistema, que é parte do planeta Terra, que
é parte do Sistema Solar, que é parte de uma galáxia, que é parte do cosmos,
que é uma das expressões do Mistério ou de Deus.Tudo tem a ver com tudo. A
complexidade procura respeitar essa totalidade orgânica, feita de relações
em rede e de processos de integração."
Texto do livro “A Águia e Galinha”, de
Leonardo Boff, é fantástica
metáfora da condição humana e aponta para a interdependência total” em
relação à criação, realidade que o ser humano esqueceu faz muito, e vive
como se fosse absoluto, sem se inserir na complexa cadeia das espécies que
habitam na face da terra.
Incrível a mudança que o homem imprimiu à vida da espécie,
apropriando-se da terra com sua ganância, sem se preocupar, inclusive, com o
futuro da própria humanidade, condenando parcela significativa a viver em
condições de miserabilidade, por conta do lucro insaciável.
Como minha origem remonta à terra, lembro que o solo precisa
descansar para receber outro plantio no ano seguinte e assim renovar-se. Na
simplicidade e sem conhecimento científico, a sabedoria acumulada pelos
antigos ao longo do tempo foi ensinando que a agressão à natureza não fica
sem resposta. Se o homem a agride com o machado, ela responde com o deserto.
Deploráveis são as imagens de riachos que passam por
aglomerações humanas da dita (eu não gosto do termo) periferia, onde
simplesmente não há nenhum cuidado com a natureza. A miséria é absoluta em
todos os sentidos: tudo vai para o riacho! Até onde fomos com o descuido e
descaso com a natureza! E aí não adianta investir milhões para recuperar a
base hidrográfica. Sem educação, com certeza, não vai adiantar, porque tudo
dependerá da interrupção do processo.
A exemplo da tolerância zero com o álcool talvez se devesse
pensar o mesmo em relação à questão ambiental, para ajudar a natureza a se
recompor e assegurar vida em sua plenitude às futuras gerações. É preciso
incentivar tanto o trabalho heróico de organismos engajados na questão
ambiental quanto o que se faz nas escolas, para que nova mentalidade se
forje com crianças e jovens, que não se curvarão diante dos absurdos dos
interesses dos poderosos, somente focados no lucro, como se não houvesse
próxima geração.
Diante de um universo de temas em contradição dialética,
segundo Paulo Freire, os homens tomam posições contraditórias: alguns
trabalham na manutenção das estruturas; outros, em sua mudança.
Por isso, continua o ilustre educador, a conscientização é
compromisso histórico. É também consciência histórica: é inserção crítica na
história, implica que os homens assumam o papel de sujeitos que fazem e
refazem o mundo. Exige que os homens criem sua existência com um material
que a vida oferece.
Talvez, por aí, haja esperança de recuperar os elos da
corrente e a consciência de que “tudo tem a ver com tudo”.
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