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Todos almejam um dia feliz, não? Muita gente tem se
empenhado em descobrir o segredo e tentar ajudar na concretização deste
sonho.
A cultura oriental, mais voltada ao silêncio e
introspecção, favorece o recolhimento. E foi lá que recolhi ensinamentos que
são a base para o meu dia iniciar em profunda paz. Assisto todo dia à magia
do amanhecer, com tempo dedicado à leitura de devocionários, textos
bíblicos, oração, recolhido em meditação.
A edição de março da Revista Bons Fluidos publica matéria
sobre este tema: “Na Índia, o horário matinal é chamado de amrit vela, ou
seja, a hora do néctar, momento ideal para meditar. A cidade e a natureza
ainda estão adormecidas, tudo está calmo e sossegado”.
Especialista no assunto afirma: “Também é o período em que
os pulmões estão na sua mais alta atividade, facilitando a respiração e a
captação de energia vital. Além disto, acontece vontade espontânea de estar
quieto e falar pouco. Com isso, a conexão com Deus, o Ser Supremo, torna-se
mais livre e desimpedida, sem estar obstruída por excesso de pensamentos”.
É a verdadeira hora santa, segundo a tradição hinduísta,
para refletir sobre a vida, sem se fixar em determinado assunto e
objetivamente definir estratégias e metas, deixando o cérebro à vontade para
o livre pensar.
O amanhecer, que é a moldura desta hora mágica, é
espetáculo à parte, e o Sol, segundo algumas tradições, é como “metáfora de
Deus, em sua infinita generosidade, amor e poder de doação”. Na tradição
cristã, é acompanhado de oração e celebração, ritual para entrar na conexão
divina e pedir as bênçãos para o novo dia.
Independente de onde se esteja, a cultura ou a religião que
se tiver, é o mesmo sol que nasce, a mesma luz que ilumina o dia, mas cada
um elabora, a seu jeito, a magia deste momento.
Creio que o mundo oriental tem muito a nos ensinar sobre o
que se pode fazer para não perder a energia mágica de cada início de dia.
Desconfio de que o mundo ocidental deixou-se turbinar por outros valores, e
ficou irremediavelmente acoplado à pressa, deixando-se atropelar pela
esteira da velocidade.
O retorno a culturas e religiões orientais – berço também
do Cristianismo - pode ajudar-nos no retorno ao recolhimento e meditação,
sem renunciar à nossa fé, mas incorporando práticas importantes para o
equilíbrio interior. Aliás, é disto que as pessoas do nosso tempo, muito
carentes, acumulando tensões e sem ter onde descarregá-las, efetivamente
precisam.
Uma das formas de se proteger das tensões e fortalecer o
equilíbrio interior é assegurar tempo e espaço para aquietar-se e, para
isso, talvez a magia do amanhecer seja a hora do néctar.
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