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Osvino Toillier

Professor & Escritor

Os sete conselhos

 

Mevlana foi um místico muçulmano cujos sete conselhos, recolhidos em Konya, cidade sagrada da Turquia, me levaram à reflexão sobre os princípios que regem a vida em diferentes culturas e religiões. Aliás, os textos sagrados são fonte reveladora desses princípios e compreensão da realidade e, antes de emitir juízo, é bom a gente se informar sobre o contexto em que as verdades foram concebidas.

Cada vez me convenço mais de que é preciso o respeito à diversidade cultural e religiosa, o que não significa abrir mão dos próprios princípios e crenças, mas que não podem nos engessar a ponto de perder a condição de ouvir quem pensa diferente.

Como, por exemplo, emitir juízo de valor sobre o fato de os mulçumanos serem convocados cinco vezes ao dia para oração? Ou o hábito de os homens rezarem separados das mulheres? Ou de não entrar na mesquita com sapato? E os fiéis de lavarem rosto, mãos e pés antes de rezar? Que direito nos assiste de julgar isso?

Então, quando se lêem textos sagrados de outras religiões, é preciso abster-se de julgamento, porque foram concebidos em outra realidade geográfica, cultural e temporal. Milênios antes de nós, civilizações habitaram em diferentes regiões do planeta, tiveram fenomenais avanços comprovados pela arqueologia, concepções artísticas cuja beleza atravessou os tempos, razão por que não podemos nos absolutizar em nossos julgamentos e juízos.

Mas vamos aos sete conselhos de Mevlana:

seja generoso e disponível para ajudar como um rio;

seja amoroso e solidário como o sol;

esteja disposto, ao perdoar, a encobrir as falhas dos outros como a noite;

seja imóvel como a morte diante da raiva e da fúria;

seja humilde e modesto como a terra;

seja tolerante como o mar;

seja como você aparenta ser e aparente ser como você é.

Interessante como as formulações são de simplicidade cativante, ligadas sempre à natureza, cuja compreensão as torna muito mais fáceis para todos os níveis culturais. Isto leva à reflexão de que muitos dos nossos problemas podem ser decorrência do afastamento do homem da natureza, em cuja intimidade se encontra a paz e a compreensão da própria existência.

Pilotando fenomenal tecnologia e a bordo das conquistas da pós-modernidade, o ser humano do nosso tempo vive a ruptura dos padrões de vida simples e ascende à estratosfera como um semideus, incapaz, porém, de encontrar resposta para as inquietações que se acumulam em seu pobre e sofrido coração.

É preciso olhar ao redor e recolher a sabedoria das coisas simples, ouvir a voz dos sábios e meditar para redescobrir, quem sabe, a simplicidade das crianças, em cuja ingenuidade e candura está um pouco do paraíso perdido.

 

 E-MAIL DO COLUNISTA: osvino@sinepe-rs.org.br

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SulMix - Osvino Toillier... Professor & Escritor... Formado em Letras e Pós-Graduado em Administração Escolar e Gestão pela Qualidade...

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