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Osvino Toillier

Professor & Escritor

Dizer a verdade

 

Dizer a verdade tem mais uma vantagem: não é preciso lembrar-se do que foi dito antes, no dizer do escritor argentino, Jorge Luiz Borges. Frase notável para o tempo de hoje, quando se consolidou a prática de safar-se pela mentira, aliás pior, em apresentá-la como se verdade fosse. Trata-se de artimanha de mascarar a realidade e inverter os fatos, de modo que, no máximo, se tenha omitido aspectos da verdade, mas jamais, mentira.

De onde vem essa cultura de faltar com verdade, obrigando as pessoas a se protegerem com documento escrito e contratos para ter assegurado seus direitos? Onde ficou a palavra empenhada como garantia para honrar o combinado? Cada vez mais se consagra a prática de atos desonestos e de falta com a verdade, vitimando pessoas desavisadas e ingênuas, acostumadas a confiar na boa índole e palavra empenhada.

Somos levados a concluir que o acesso a estudos mais avançados contribui para usar o conhecimento para iludir e enganar pessoas, base da corrupção que grassa em nosso país.

Em tempo algum, tantas pessoas foram investigadas e presas por conta de atos desonestos, praticados à margem da lei. Parece que apodrecemos moralmente. Em algum momento da nossa história falhamos. E não adianta escolher um boneco e bater nele. Temos de encarar a realidade e reconhecer que condescendemos com a burla de princípios fundamentais, como, por exemplo, faltar com a verdade, sem o menor constrangimento.

A derrocada de uma sociedade começa com a flacidez de sua conduta moral e ética. Tolerar a falta da verdade é sintoma grave que precisa ser encarado com seriedade, sob pena de contaminar outros valores, como, por exemplo, a honestidade. Não existe honestidade 99,9%. Ou é total ou não serve.

Desde crianças, isto era para nós um valor incontestável. Não passava nem pela cabeça mentir, ensaiar idéia de satisfazer-se com meia verdade, de não ser honesto, de não honrar a palavra empenhada.

E não vamos querer defender-nos com safadezas de políticos corruptos, com o argumento de que o mau exemplo tenha contaminado a sociedade. Temos de constituir-nos na reserva moral da sociedade para que o organismo social possa filtrar as mazelas e sairmos renovados e limpos para um novo tempo.

“A grandeza de um homem, no dizer de Charles Blair, pastor americano, é determinada pela causa pela qual ele vive e pelo preço ele está disposto a pagar para alcançá-la”. Por isso, o compromisso com a verdade e o valor da palavra empenhada devem voltar a ser elementos refletidos no espelho diário de nossas vidas.

 

 E-MAIL DO COLUNISTA: osvino@sinepe-rs.org.br

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SulMix - Osvino Toillier... Professor & Escritor... Formado em Letras e Pós-Graduado em Administração Escolar e Gestão pela Qualidade...

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