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Osvino Toillier

Professor & Escritor

Pelo menos hoje

 

Viver a vida, eis um desafio e grande segredo, guardado a sete chaves por muita gente. Será que existe alguma fórmula secreta para ajudar as pessoas a viverem melhor? Não falo nem em ser feliz, porque este é um conceito muito particular, cujas medidas e parâmetros são absolutamente pessoais.

Há hoje um universo de promoções que chamam à atenção das pessoas, tentando conquistá-las para simpatias que, de certa forma, as blindassem contra o sofrimento, como se um amuleto pudesse garantir vida em abundância e plena de sentido.

É claro que a vida é projeto pessoal e depende, em grande parte, do que se quer com ela. Posso deixar-me levar pelas circunstâncias ou estar na cabine, pilotando a nave de minha própria vida. Posso viver a sucessão dos anos ou tomar a decisão de preparar-me, através de estudo e cursos, para novas demandas, caso perca o emprego ou resolva mudar de rumo. Ah! neste sentido, tem tudo a ver com a gente para não ser refém de uma única saída. Ou pior, sem nenhuma saída. E ter algo pensado para quando se aposentar, se é que ainda se pode usar este termo.

A pior coisa da vida é sentir-se vítima, com baixa auto-estima, beirando à depressão. Como tem gente nesta situação. Possivelmente seja este o dito mal do século.

O que fazer então? Chegou-me às mãos um texto de origem espanhola, que traz a questão para o dia e hoje: “Pelo menos hoje, me proponho a tratar de viver não mais que este dia e para este dia, e não empenhar-me em resolver todos os problemas de minha vida inteira;  pelo menos hoje, me proponho a exercitar meu sentido moral de três maneiras: fazer o bem a alguém, fazer duas coisas que não gosto de fazer, mas preciso fazer e, se alguém me ofender, não responder com violência, mas refletir; pelo menos hoje, me proponho a ser feliz; pelo menos hoje, me proponho a tratar de fortalecer minha mente, procurando ler algo útil, que me faça pensar e reencontrar minha paz; pelo menos hoje, me proponho a entregar o melhor de mim para outras pessoas; pelo menos hoje, me proponho a passar pequena parte do meu dia sozinho e em silêncio, sem TV, sem internet, sem som, para ouvir o que passa dentro de mim; pelo menos hoje, me proponho a não ter medo”.

É, pelo menos hoje, há algumas coisas relativamente simples, mas importantes a fazer para melhorar a vida, sem que sejam artifícios ou amuletos que prometam a tal da felicidade. E talvez colecionando “hojes” nesta freqüência, já estaremos nos habilitando a incorporar a cultura de não abandonar o barco da vida às vicissitudes e correntezas das enxurradas com que somos assolados, e tratar de nos colocarmos fora da lama do negativismo. E, sobretudo, convencer-nos de que a vida não vem pronta, determinada, com maior ou menor grau de felicidade, mas nos transforma em sujeitos de nossa própria existência. Eis aí talvez o grande segredo!

 

 E-MAIL DO COLUNISTA: osvino@sinepe-rs.org.br

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SulMix - Osvino Toillier... Professor & Escritor... Formado em Letras e Pós-Graduado em Administração Escolar e Gestão pela Qualidade...

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