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Viver a vida, eis um
desafio e grande segredo, guardado a sete chaves por muita gente. Será que
existe alguma fórmula secreta para ajudar as pessoas a viverem melhor? Não
falo nem em ser feliz, porque este é um conceito muito particular, cujas
medidas e parâmetros são absolutamente pessoais.
Há hoje um universo de
promoções que chamam à atenção das pessoas, tentando conquistá-las para
simpatias que, de certa forma, as blindassem contra o sofrimento, como se um
amuleto pudesse garantir vida em abundância e plena de sentido.
É claro que a vida é
projeto pessoal e depende, em grande parte, do que se quer com ela. Posso
deixar-me levar pelas circunstâncias ou estar na cabine, pilotando a nave de
minha própria vida. Posso viver a sucessão dos anos ou tomar a decisão de
preparar-me, através de estudo e cursos, para novas demandas, caso perca o
emprego ou resolva mudar de rumo. Ah! neste sentido, tem tudo a ver com a
gente para não ser refém de uma única saída. Ou pior, sem nenhuma saída. E
ter algo pensado para quando se aposentar, se é que ainda se pode usar este
termo.
A pior coisa da vida é
sentir-se vítima, com baixa auto-estima, beirando à depressão. Como tem
gente nesta situação. Possivelmente seja este o dito mal do século.
O que fazer então?
Chegou-me às mãos um texto de origem espanhola, que traz a questão para o
dia e hoje: “Pelo menos hoje, me proponho a tratar de viver não mais que
este dia e para este dia, e não empenhar-me em resolver todos os problemas
de minha vida inteira; pelo menos hoje, me proponho a exercitar meu sentido
moral de três maneiras: fazer o bem a alguém, fazer duas coisas que não
gosto de fazer, mas preciso fazer e, se alguém me ofender, não responder com
violência, mas refletir; pelo menos hoje, me proponho a ser feliz; pelo
menos hoje, me proponho a tratar de fortalecer minha mente, procurando ler
algo útil, que me faça pensar e reencontrar minha paz; pelo menos hoje, me
proponho a entregar o melhor de mim para outras pessoas; pelo menos hoje, me
proponho a passar pequena parte do meu dia sozinho e em silêncio, sem TV,
sem internet, sem som, para ouvir o que passa dentro de mim; pelo menos
hoje, me proponho a não ter medo”.
É, pelo menos hoje, há
algumas coisas relativamente simples, mas importantes a fazer para melhorar
a vida, sem que sejam artifícios ou amuletos que prometam a tal da
felicidade. E talvez colecionando “hojes” nesta freqüência, já estaremos nos
habilitando a incorporar a cultura de não abandonar o barco da vida às
vicissitudes e correntezas das enxurradas com que somos assolados, e tratar
de nos colocarmos fora da lama do negativismo. E, sobretudo, convencer-nos
de que a vida não vem pronta, determinada, com maior ou menor grau de
felicidade, mas nos transforma em sujeitos de nossa própria existência. Eis
aí talvez o grande segredo!
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