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O que fazer com os sentimentos que vão n’alma e no coração
da gente nesta semana, que abriga
a festa de Natal, com todos os rituais e desdobramentos? Literalmente, o pensamento
foge, eleva-se acima do chão onde a gente continua andando, fica flutuando
para não deixar-se contaminar pela mesquinhez que rola entre os mortais.
Enfim, a terra é o local onde as coisas não são perfeitas, onde seres
humanos fazem festa e esquecem do aniversariante e onde se comercializou o
Natal, acreditando que um montão de presentes preencherá o vazio nos
corações das pessoas.
Pois eu penso que necessitamos, todos, de radicais mudanças
para poder abrigar a radicalidade do amor divino, que “saiu da moldura
divina para entrar na fragilidade humana”.
Minha memória me reporta aos tempos de criança e juventude,
quando a dita festa magna da Cristandade era celebrada com simplicidade e
amor, com pinheirinho enfeitado com lâmpadas elétricas queimadas, pintadas
por mão habilidosas, que mamãe guardava cuidadosamente de um ano para outro.
No mais, os enfeites eram naturais, sem nenhuma luz piscando e show de
maravilhas eletrônicas.
Será que sou contra este mundo
de show de luzes de hoje?
Não, com certeza que não, mas levanto meu alerta para que não substituamos a
essência pelo secundário; que não percamos a dimensão da Divina Criança pelo
brilho artificial da noite e que durante o dia simplesmente não existe.
A noite de Natal abriga a essência da Natividade, que olha
para a manjedoura onde repousa o Deus Menino, entre animais nascido e cedo
se transformou em migrante para salvar a própria vida. Sim,
a noite de Natal recupera em cada um
de nós o espírito de
criança, prova de que a infância precisa ser preservada e cuidada para
revisitarmos os tempos mágicos em que acreditávamos que era Papai Noel quem
colocava o presentinho no sapatinho na janela...
Por tudo isso, eu quero continuar sonhando com as mais
lindas lembranças e estórias de Natal, recuperando a memória daquilo que
fazia o encanto da noite, na simplicidade e pobreza, mas com humildade e
muito amor.
Não, quero que nada me roube aquele Natal, aliás, o
verdadeiro, onde eu possa encontrar o Menino Jesus e colocá-lo no centro da
celebração. Se eu não conseguir fazer isto, estarei dessacralizando o Natal.
Aí será uma festa qualquer, e o “Feliz Natal” será saudação mundana, que não
tem nada a ver com
o nascimento do Salvador. Salvem, pois, a sacralidade do Natal, com ceia e presentes,
sim, centrada, porém, no Deus Menino.
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