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Osvino Toillier

Professor & Escritor

A sacralidade do Natal

 

O que fazer com os sentimentos que vão n’alma e no coração da gente nesta semana, que abriga a festa de Natal, com todos os rituais e desdobramentos? Literalmente, o pensamento foge, eleva-se acima do chão onde a gente continua andando, fica flutuando para não deixar-se contaminar pela mesquinhez que rola entre os mortais. Enfim, a terra é o local onde as coisas não são perfeitas, onde seres humanos fazem festa e esquecem do aniversariante e onde se comercializou o Natal, acreditando que um montão de presentes preencherá o vazio nos corações das pessoas.

Pois eu penso que necessitamos, todos, de radicais mudanças para poder abrigar a radicalidade do amor divino, que “saiu da moldura divina para entrar na fragilidade humana”.

Minha memória me reporta aos tempos de criança e juventude, quando a dita festa magna da Cristandade era celebrada com simplicidade e amor, com pinheirinho enfeitado com lâmpadas elétricas queimadas, pintadas por mão habilidosas, que mamãe guardava cuidadosamente de um ano para outro. No mais, os enfeites eram naturais, sem nenhuma luz piscando e show de maravilhas eletrônicas.

Será que sou contra este mundo de show de luzes de hoje? Não, com certeza que não, mas levanto meu alerta para que não substituamos a essência pelo secundário; que não percamos a dimensão da Divina Criança pelo brilho artificial da noite e que durante o dia simplesmente não existe.

A noite de Natal abriga a essência da Natividade, que olha para a manjedoura onde repousa o Deus Menino, entre animais nascido e cedo se transformou em migrante para salvar a própria vida. Sim, a noite de Natal recupera em cada um de nós o espírito de criança, prova de que a infância precisa ser preservada e cuidada para revisitarmos os tempos mágicos em que acreditávamos que era Papai Noel quem colocava o presentinho no sapatinho na janela...

Por tudo isso, eu quero continuar sonhando com as mais lindas lembranças e estórias de Natal, recuperando a memória daquilo que fazia o encanto da noite, na simplicidade e pobreza, mas com humildade e muito amor.

Não, quero que nada me roube aquele Natal, aliás, o verdadeiro, onde eu possa encontrar o Menino Jesus e colocá-lo no centro da celebração. Se eu não conseguir fazer isto, estarei dessacralizando o Natal. Aí será uma festa qualquer, e o “Feliz Natal” será saudação mundana, que não tem nada a ver com o nascimento do Salvador. Salvem, pois, a sacralidade do Natal, com ceia e presentes, sim, centrada, porém, no Deus Menino.

 

 E-MAIL DO COLUNISTA: osvino@sinepe-rs.org.br

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SulMix - Osvino Toillier... Professor & Escritor... Formado em Letras e Pós-Graduado em Administração Escolar e Gestão pela Qualidade...

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