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Estou parado diante do calendário de 2010, novíssimo em
folha, sem nenhuma anotação ainda, porque tudo está por acontecer.
Calendário velho vai aos poucos se acostumando que seu tempo de validade
está vencendo e, daqui a pouco, perderá o lugar definitivamente para o Ano
Novo.
O tempo foi fracionado em fatias, cada ano tem seus limites
e, depois, será inapelavelmente guardado na prateleira da eternidade. A
gente sabe que na vida real não é bem assim, apesar de termos que escrever
um novo número. O último dia do ano velho traz um sentimento engraçado, a
gente o vive de forma diferente, com a sensação de que o tempo foge de
nossas mãos como a fina areia da praia. Vamos dormir num ano e acordamos no
outro. É um pouco difícil assimilar isto. E aí as pessoas se cumprimentam,
desejando Feliz Ano Novo, expediente para amortecer a sensação de não saber
exatamente o que fazer com a novidade.
Na verdade, muda só invólucro, a essência continua a mesma.
É bom a gente dar-se conta de que os dias terão a duração habitual, assim
como as demais medições. No fundo, o início e o fim de dia continuam sendo
os parâmetros eternos que, na verdade, são os limites que não dão bola para
os tempos dos homens. O sol continua nascendo e se pondo, trazendo
espetáculos diferentes em cada dia e em todas as partes do mundo.
O sentimento de perplexidade do homem diante da passagem
implacável do tempo é decorrente da sua condição de pequenez diante dos
acontecimentos majestosos e inescrutáveis da natureza. Só nos resta
agradecer por tudo que tivemos e pedir para que nossos sonhos possam
tornar-se realidade. E, especialmente, olhar para o tempo que está a nossa
frente e implorar para que Deus nos ilumine a fim de que o vivamos com
dignidade e respeito, com decência e humildade, empenhando o melhor dos
esforços em prol da vida e da felicidade de todas as pessoas, especialmente
dos, que nos são caros.
Talvez devêssemos nos empenhar especialmente para que a
ganância não venha se impor como valor maior em detrimento da sensibilidade
à dor alheia e solidariedade. Se o primeiro dia do ano novo é festejado como
data da fraternidade universal, deveria mobilizar-nos para que,
efetivamente, despertasse em cada um nós os melhores sentimentos e
transformar o mundo, onde reine a paz e a boa-vontade entre todos os homens,
independentemente de raça, cultura e religião. O Ano Novo merece esta
chance, não? Pode ter, desde que saiamos de nossa mesquinhez e sejamos
maiores do que nossas diferenças. Vamos dar uma chance para um novo tempo?
Então, poderemos celebrar e desejar um “Feliz Ano Novo”.
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