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Osvino Toillier

Professor & Escritor

Diante do novo calendário

 

Estou parado diante do calendário de 2010, novíssimo em folha, sem nenhuma anotação ainda, porque tudo está por acontecer. Calendário velho vai aos poucos se acostumando que seu tempo de validade está vencendo e, daqui a pouco, perderá o lugar definitivamente para o Ano Novo.

O tempo foi fracionado em fatias, cada ano tem seus limites e, depois, será inapelavelmente guardado na prateleira da eternidade. A gente sabe que na vida real não é bem assim, apesar de termos que escrever um novo número. O último dia do ano velho traz um sentimento engraçado, a gente o vive de forma diferente, com a sensação de que o tempo foge de nossas mãos como a fina areia da praia. Vamos dormir num ano e acordamos no outro. É um pouco difícil assimilar isto. E aí as pessoas se cumprimentam, desejando Feliz Ano Novo, expediente para amortecer a sensação de não saber exatamente o que fazer com a novidade.

Na verdade, muda só invólucro, a essência continua a mesma. É bom a gente dar-se conta de que os dias terão a duração habitual, assim como as demais medições. No fundo, o início e o fim de dia continuam sendo os parâmetros eternos que, na verdade, são os limites que não dão bola para os tempos dos homens. O sol continua nascendo e se pondo, trazendo espetáculos diferentes em cada dia e em todas as partes do mundo.

O sentimento de perplexidade do homem diante da passagem implacável do tempo é decorrente da sua condição de pequenez diante dos acontecimentos majestosos e inescrutáveis da natureza. Só nos resta agradecer por tudo que tivemos e pedir para que nossos sonhos possam tornar-se realidade. E, especialmente, olhar para o tempo que está a nossa frente e implorar para que Deus nos ilumine a fim de que o vivamos com dignidade e respeito, com decência e humildade, empenhando o melhor dos esforços em prol da vida e da felicidade de todas as pessoas, especialmente dos, que nos são caros.

Talvez devêssemos nos empenhar especialmente para que a ganância não venha se impor como valor maior em detrimento da sensibilidade à dor alheia e solidariedade. Se o primeiro dia do ano novo é festejado como data da fraternidade universal, deveria mobilizar-nos para que, efetivamente, despertasse em cada um nós os melhores sentimentos e transformar o mundo, onde reine a paz e a boa-vontade entre todos os homens, independentemente de raça, cultura e religião. O Ano Novo merece esta chance, não? Pode ter, desde que saiamos de nossa mesquinhez e sejamos maiores do que nossas diferenças. Vamos dar uma chance para um novo tempo? Então, poderemos celebrar e desejar um “Feliz Ano Novo”.

 

 E-MAIL DO COLUNISTA: osvino@sinepe-rs.org.br

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SulMix - Osvino Toillier... Professor & Escritor... Formado em Letras e Pós-Graduado em Administração Escolar e Gestão pela Qualidade...

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