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Osvino Toillier

Professor & Escritor

Revisitando a infância

 

É simplesmente encantador observar a criança brincando: o mundo da imaginação recriando realidade, construção de cenários, diálogo com os brinquedos, ausência de monotonia por conta da criatividade permanente, enfim, quanto material de inspiração para o adulto, tantas vezes contagiado pela desmotivação e diante de dificuldades.

A criança é um mundo à parte, que transforma a casa, mexe com a rotina e, querendo ou não, desacomoda o adulto, não poucas vezes desajeitado e confuso diante das demandas infantis. A rápida e constante troca de cenários deixa o adulto atrapalhado, porque precisa submeter-se a rápidas mudanças de freqüência, tão fora de seu padrão.

Tenho me dedicado – e deliciado – a observar o comportamento de uma criança de dois anos que me permite revisitar a infância de forma privilegiada e fico tentando recordar a mesma fase na vida dos filhos e não consigo encontrar na memória semelhantes atitudes. E fico me perguntando se teria sido tão pacata ou se realmente a vida de hoje produz outra infância.

É claro que o tempo é outro, o mundo de possibilidades e incentivos certamente contribui para outro ser humano, mas sempre é uma criança, na mais pura e original acepção do termo. Não tem essa de ser mais ou menos inteligente, trata-se apenas de nascer e viver com outros estímulos. O fato de aos dois anos escolher um filme e colocar no aparelho, rodar, aumentar ou diminuir o volume parece meio precoce, mas é simplesmente influência do meio. Ninguém ensinou isto, é decorrência do meio.

Mas percebo que o afeto continua sendo o centro da vida da criança. Sempre de novo a velha máxima: “Dá à criança tua mão, e ela te dará seu coração”. Nada mais comovente do que a espontaneidade e amor sem limites de uma criança. “A minha mãe, o meu pai, a minha vovó, o meu vovô” são identificações do universo mágico da criança.

E as aprendizagens são contínuas e intensas. Palavras novas que brotam, fragmentos de frase que se consolidam, sorrisos encantadores, abraços que são verdadeiros amassos e o desejo insaciável de brincar, arrastar o adulto para brincar-de-esconder, enfim, ajudá-la a elaborar o mundo com suas próprias vivências, sem ser infantilizada pelo adulto. E ela nos deixa um recado claro: “não me deixa com minhas próprias circunstâncias, deixa eu crescer contigo, não me confina no meu próprio mundo, eu preciso evoluir”.

Com a natural curiosidade da criança, é estranho que, mais tarde, perca o interesse por aprender, de reinventar as coisas. Não será que muitas vezes queremos ensinar coisas prontas para ela? Desconfio que sim. E isto não funciona com a criança, porque ela não aceita paradigmas prontos. Precisa fazer do jeito dela, reinventar a receita do bolo e aprender a fazer com a vovó. E tem coisa mais gostosa do que o bolo da vovó? Duvido! Perguntem pra Manuela.

 

 E-MAIL DO COLUNISTA: osvino@sinepe-rs.org.br

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SulMix - Osvino Toillier... Professor & Escritor... Formado em Letras e Pós-Graduado em Administração Escolar e Gestão pela Qualidade...

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