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Na maioria das escolas gaúchas, começam os primeiros
movimentos para a preparação do ano letivo,
com seminários de professores,
inspirados à luz de temáticas atuais, com palestrantes de diferentes
especializações, com o objetivo de ajudar a compreender melhor o fenômeno
das transformações profundas a que estamos assistindo.
Admitamos que os professores estão retornando às escolas
com preocupações adicionais em relação a outros tempos, porque o mundo do
ano passado já não é o mesmo, consagrando-se
a certeza de que aprendizagens definitivas são cada vez mais raras.
Diante da convicção de que os tempos líquidos vão perdurar,
é necessário que a gente se prepare para este novo tempo, tente mapear o
cenário e identificar características e tendências. Por isso, o professor
não pode mais se recolher ao feudo da matéria que leciona, mas tem que
entender o contorno do mundo de onde procede e em que convive o aluno.
Cada vez mais se consagra
a concepção de cidadão planetário e, graças às novas tecnologias, a
realidade urbana cada vez mais se aproxima à do interior. Tornamo-nos,
todos, cidadãos do mundo, e a terra está cada vez mais plana.
À luz desta realidade, desejaria que os professores não
perdessem o encanto e a paixão por trabalhar com crianças e jovens, sedentos
por novos saberes, razão por que a escola precisa ir além do saber
científico. Cada professor sabe que precisa tornar-se aprendiz para o resto
da vida. E a senha de aproximação com o aluno, sem perda de autoridade.
O que se precisa hoje em dia são pessoas firmes, mas
flexíveis, para analisar hipóteses e construir com o aluno diferentes teses,
decorrentes do trabalho
de sala de aula. Tem cada
vez menos espaço o conhecimento prepotente, único, arrogante em oposição à
simplicidade do sábio, que escuta, dialoga, contrapõe, questiona e deixa
claro sua convicção.
Eu sei que muitos professores estão retornando com alguma
inquietação, diante de generalizada cultura
de falta de respeito em
toda a sociedade, razão por que os mestres precisam do apoio forte da escola
para que sejam investidos na autoridade de quem é responsável pelo processo
ensino-aprendizagem. O professor recebe esta delegação da escola, e
autoridade significa o direito que se confere a alguém para ser autor.
Sejam orgulhosos, professores, desta missão sublime,
preparem-se com alegria para o banquete do saber que logo mais vai ser
servido, cujos protagonistas são vocês, mestres de diferentes matérias, mas,
sobretudo, da vida. Deixem sua estrela brilhar no firmamento da educação e
inspirem-se nas palavras de Ivo Juliato: “Enquanto o professor forma o
profissional, o educador prepara o cidadão; enquanto o professor ensina a
ciência, o educador sensibiliza o coração e a alma; enquanto o professor
explica a gramática e expressões numéricas, o educador imprime princípios e
atitudes. Por essas e outras razões, todos os professores devem, aos poucos,
se tornar educadores”.
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