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Há algumas palavras que literalmente caíram em desuso, e
virtude é uma delas. Antigamente, estavam na ponta da língua as virtudes que
se procuravam incutir nos filhos. Elas embelezavam o ser humano, e era o
maior orgulho para os pais poderem ouvir que os filhos eram virtuosos.
Mas quais eram essas virtudes? Ei-las: Dignidade, decência,
respeito, honestidade, verdade, retidão, amabilidade, bondade, compaixão,
enfim, aquilo que caracteriza um ser humano bom.
Segundo o teólogo João
Artur Muller da Silva, editor da
Editora Sinodal, virtudes
são forças ou fontes que podem alimentar a fé, a maneira de agir,a maneira
de encarar acontecimentos,
a forma de contribuir para que o mundo ao nosso redor seja como Deus quer
para a humanidade.
O Apóstolo Paulo, em Gálatas 5.22, fala das nove virtudes:
amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade,
mansidão e domínio próprio.
Acho que estamos cometendo grave erro hoje na
educação de crianças e jovens ao não tratar das virtudes como pilares básicos da vida,
absolutamente necessárias para vida plena do ser humano.
Deixamo-nos contaminar por apelos de mercado, de modo que
esses valores estão em baixa na bolsa da modernidade, que aposta muito mais
na concorrência, no lucro a qualquer preço, na arrogância e no desprezo
pelas causas comunitárias e humanitárias.
Estamos todos preocupados com as novas demandas da
pós-modernidade, especialmente a violência e a insegurança, verdadeiros
flagelos do nosso tempo. E aí falamos em diminuir a idade penal, construir
novos presídios, quando deveríamos investir maciçamente na
educação de valores, ajudar os pais a terem coragem de passar aos filhos, desde a mais
tenra idade, os valores fundamentais da humanidade, tão zelosamente
ensinados pelos nossos pais.
É preciso coragem para romper com
a tendência de liberar cedo demais crianças e jovens para tudo que querem e
atender simplesmente aos seus desejos, sem falar incansavelmente dos valores
que a família tradicionalmente cultuou. Isto não os fará infelizes, pelo
contrário, será um legado imperecível para o futuro, quando seremos
lembrados pelo testemunho dos valores e crenças que lhes passamos.
Onde quer que estejamos seremos identificados pelos valores
que professamos e praticamos. Seria uma pena deixar os jovens partirem com a
mochila vazia para um mundo novo, de muitas oportunidades, mas de altíssimos
riscos para quem apenas pensa em ser um vencedor.
Nunca é tarde, segundo o já citado teólogo, para fazer o
caminho de volta aos valores que são eternos e que podem renovar nossas
atitudes e pensamentos. Esses nove frutos do Espírito Santo são a base para
uma sociedade fraterna, família acolhedora, país decente, política ética e
para uma economia solidária. Que o amor, a alegria, a paz, a longanimidade,
a benignidade, a bondade, a fidelidade, a mansidão e o domínio próprio
fertilizem nossas mentes e ações.
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