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O preço da
beleza
Um sujeito está na feira
vendendo vasos. Uma mulher se aproxima, e olha a mercadoria; algumas peças
estão sem qualquer desenho, outras foram decoradas com todo cuidado.
A mulher
pergunta o preço dos vasos. Para sua surpresa, descobre que todos custam a
mesma coisa.
- Como o vaso decorado
pode custar o mesmo que um simples? - pergunta.
- Por que
cobrar igual por um trabalho que demorou mais tempo para ser feito?
- Sou um artista -
responde o vendedor. - Posso cobrar pelo vaso que fiz, mas não posso cobrar
pela beleza.
A beleza é
grátis.
A cerimônia
do chá
No Japão, participei da
conhecida “cerimônia do chá”.
Entra-se num pequeno quarto, o chá é servido, e nada mais. Só que tudo é
feito com tanto ritual e protocolo, que uma prática cotidiana transforma-se
num momento de comunhão com o Universo.
O mestre do
chá, Okakusa Kasuko, explica o que acontece:
- A cerimônia é
a adoração do belo e do simples. Todo seu esforço concentra-se na tentativa
de atingir o Perfeito através dos gestos imperfeitos da vida cotidiana. Toda
a sua beleza consiste no respeito com que é realizada.
Se um mero encontro para
beber chá pode nos transportar até Deus, é bom ficar atento para as outras
dezenas de oportunidades que um simples dia nos oferece.
Norma
e as coisas boas
Em Madrid vive Norma,
uma brasileira muito especial. Os espanhóis a chamam de “a vovó roqueira”:
Ela tem mais de sessenta anos, trabalha em diversos lugares ao mesmo tempo,
está sempre inventando promoções, festas, concertos de musica. Certa vez, lá
pelas quatro da manhã – quando eu já não agüentava mais de cansaço -
perguntei a Norma de onde tirava tanta energia.
- Eu tenho um calendário
mágico.
Se quiser, posso te mostrar.
Na tarde
seguinte, fui até sua casa.
Ela pegou uma antiga
folhinha, toda rabiscada. - Bem, hoje é a descoberta da vacina contra a
pólio - disse. - Vamos comemorar, porque a vida é bela.
Norma havia copiado, em
cada um dos dias do ano, alguma coisa boa que havia acontecido naquela
data.
Para ela, a vida era sempre um motivo de alegria.
O desenho
que seduzia
Um grande sábio sufi
passou anos meditando sobre a vida. Para dividir seu conhecimento, fez um
desenho numa folha de papel, e mostrou aos seus discípulos. Os seguidores do
sábio sufi ficaram tão impressionados com a beleza do trabalho, que mandaram
imprimir o desenho numa placa de bronze. Logo a noticia se espalhou, e
começaram a vir peregrinos do mundo inteiro, para decifrar cada linha do
desenho.
Em poucos anos, as pessoas passaram a adorar a placa de
bronze, como se fosse sagrada.
- Não é desta maneira que
a beleza deve ser vista - disse o sábio, decepcionado. – Ela deve ajudar o
homem a compreender os mistérios de Deus, mas não pode ser a razão da vida.
Imediatamente
mandou fundir a placa, e transformou-a em um caldeirão.
- Pelo menos,
desta maneira o bronze ainda continua belo, mas não perde o seu significado.
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