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O vaso com
rachaduras
Conta a lenda indiana
que um homem transportava água todos os dias para a sua aldeia, usando dois
grandes vasos que prendia nas extremidades de um pedaço de madeira, e
colocava atravessado nas costas.
Um dos vasos era mais
velho que o outro, e tinha pequenas rachaduras; cada vez que o homem
percorria o caminho até sua casa, metade da água se perdia.
Durante dois anos o
homem fez o mesmo percurso. O vaso mais jovem estava sempre muito orgulhoso
de seu desempenho, e tinha certeza que estava à altura da missão para o qual
tinha sido criado, enquanto o outro vaso morria de vergonha por cumprir
apenas a metade de sua tarefa, mesmo sabendo que aquelas rachaduras eram
fruto de muito tempo de trabalho.
Estava tão envergonhado
que um dia, enquanto o homem se preparava para pegar água no poço, decidiu
conversar com ele:
- Quero pedir
desculpas, já que devido ao meu tempo de uso, você só consegue entregar
metade da minha carga, e saciar a metade da sede que espera em sua casa.
O homem sorriu, e lhe
disse:
- Quanto voltarmos, por
favor olhe cuidadosamente o caminho.
Assim foi feito. E o
vaso notou que, do seu lado, cresciam muitas flores e plantas.
- Vê como a natureza é
mais bela do seu lado? – comentou o homem. – Sempre soube que você tinha
rachaduras, e resolvi aproveitar-me deste fato. Semeei hortaliças, flores e
legumes, e você as tem regado sempre. Já recolhi muitas rosas para decorar
minha casa, alimentei meus filhos com alface, couve e cebolas. Se você não
fosse como é, como poderia ter feito isso?
“Todos nós, em algum
momento, envelhecemos e passamos a ter outras qualidades. É sempre possível
aproveitar cada uma destas novas qualidades para obter um bom resultado.“
Como a trilha foi
aberta
Na edição n. 106 do
Jornalinho, (Portugal), encontro uma história que muito nos ensina a
respeito daquilo que escolhemos sem pensar:
Um dia, um bezerro
precisou atravessar uma floresta virgem para voltar a seu pasto. Sendo
animal irracional, abriu uma trilha tortuosa, cheia de curvas, subindo e
descendo colinas.
No dia seguinte, um cão
que passava por ali, usou essa mesma trilha para atravessar a floresta.
Depois foi a vez de um carneiro, líder de um rebanho, que vendo o espaço já
aberto, fez seus companheiros seguirem por ali.
Mais tarde, os homens
começaram a usar esse caminho: entravam e saíam, viravam à direita, à
esquerda, abaixavam-se, desviavam-se de obstáculos, reclamando e praguejando
– com toda razão. Mas não faziam nada para criar uma nova alternativa.
Depois de tanto uso, a
trilha acabou virando uma estradinha onde os pobres animais se cansavam sob
cargas pesadas, sendo obrigados a percorrer em três horas uma distância que
poderia ser vencida em trinta minutos, caso não seguissem o caminho aberto
por um bezerro.
Muitos anos se passaram
e a estradinha tornou-se a rua principal de um vilarejo, e posteriormente a
avenida principal de uma cidade. Todos reclamavam do trânsito, porque o
trajeto era o pior possível.
Enquanto isso, a velha
e sábia floresta ria, ao ver que os homens tem a tendência de seguir como
cegos o caminho que já está aberto, sem nunca se perguntarem se aquela é a
melhor escolha.
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