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Não se fala de outra coisa. Os Jogos Olímpicos estão
novamente aí, agora em Pequim. Teriam se originado na Grécia Antiga, em 776
a.C.. Daquelas competições entre helênicos, chegamos aos Jogos Olímpicos da
Era Moderna, com uma série de alterações. Havia quatro Jogos Pan-Helênicos,
os Olímpicos, os Píticos, os Nemeus e os Ístmicos. Intercalavam-se num
calendário complexo, com os Jogos Olímpicos, ocorrendo de quatro em quatro
anos, em Olímpia, cidade-estado de Elis, em homenagem a Zeus.
Os Jogos Olímpicos originais eram restritos aos helênicos,
inclusive aos das colônias, como Rodes. As modalidades esportivas
consideradas olímpicas eram poucas, quando comparadas com as 41 modalidades
de hoje. Destacavam-se as lutas, saltos, corridas e modalidades de
arremesso. Em alguns momentos do passado, os Jogos Olímpicos abrigaram
modalidades estranhas, como o levantamento de peso com uma só mão. Somente
eram permitidos os competidores do sexo masculino, nos jogos antigos.
Mulheres, só na platéia. Sendo virgens, é claro.
Se por um lado eram jogos de pelados, já que competiam
completamente nus, por outro lado eram jogos de abonados, pois todas as
despesas, inclusive as de transporte e de hospedagem, eram suportadas pelos
participantes. Pé rapado, nem na corrida. O amadorismo durou bastante, até o
final do Século XX, quando os patrocinadores finalmente venceram, incluindo
a participação dos atletas profissionais.
Os Jogos Olímpicos sofreram uma grande interrupção, entre 394
d.C. e 1896 - também d.C., é óbvio. Naquele ano, o imperador - convertido
cristão - Teodósio I proibiu os jogos, pelo evidente paganismo incutido
neles. Coube ao francês Pierre de Frédy, o Barão de Coubertin, lutar pela
criação dos Jogos Olímpicos da Era Moderna. Ele havia assistido à reedição
dos Jogos Pan-Helênicos, promovida pelo milionário grego Evangelios Zapas,
entre 1870 e 1889. Entusiasmou-se de tal forma, que conseguiu convencer o
governo francês a patrocinar suas viagens em busca de apoio para a criação
da versão atual dos jogos. Como os gregos interrompiam suas guerras para
participarem dos jogos, Coubertin imaginou que os países modernos fariam o
mesmo. Os primeiros Jogos Olímpicos da Era Moderna aconteceram em Atenas, em
1896, com 285 atletas representando 13 países. As despesas com a organização
foram pagas por Georgios Averoff, outro milionário grego. Protagonizando uma
tragédia grega moderna, o Barão de Coubertin morreu pobre e doente, na
Suíça, em 1937. Contrariando as idéias de Coubertin, e a prática dos gregos,
os povos modernos interromperam os jogos para realizarem jogos de guerra.
O autor do mote Citius, Altius, Fortius – mais veloz, mais
alto, mais forte – não foi nenhum grego, até porque está em latim. Quem o
criou, foi o padre francês Henri Martin Dideon, diretor do Colégio Arcueil
de Paris.
Espantosos são os custos dos Jogos Olímpicos Modernos. Os
chineses esperam gastar – oficialmente - algo como 3,16 bilhões de reais na
organização. Esperam, pois levantamentos externos indicam que gastarão por
volta de 65,6 bilhões de reais. Apenas na tentativa de redução da poluição,
gastarão 16,5 bilhões de reais. Mesmo assim, os atletas deverão se habituar
a competir numa atmosfera um tanto diferente daquela a qual estão
habituados. O COI – Comitê Olímpico Internacional - poderá incluir uma nova
modalidade, a corrida de escafandro.
Com todos esses investimentos, viva o espírito olímpico, ou,
como diria hoje o Padre Dideon, Adidius, Naikius, Altius Lucrus!
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