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O B do teclado está falhando. Será uma migalha de pão? Tenho
de bater a tecla, com medo de que ele saia sempre maiúsculo. Ficaria B
demais. Sou obrigado a solidarizar-me com alguns atletas dos Jogos
Olímpicos, e de quaisquer outros jogos, menos olímpicos, especialmente com
aqueles que competem nas modalidades individuais.
Os esportes individuais levam à glória, e à desgraça, sem
meios-termos. Se você venceu, a Pátria triunfou. Você será sócio de mais de
uma centena de milhões de vencedores, sem falar do patrocinador. Hinos,
bandeiras e vinhetas, todos o acompanharão. Se você perder, foi Você quem
perdeu. Por falar nisso, quem afinal lhe permitiu representar tal multidão?
Sem vencer?
Quem nunca competiu numa modalidade esportiva individual, não
sabe daquela sensação estranha que surge antes da prova. Quantos não se
questionam, sobre – porcaria do B – o que estão fazendo lá? O coração
dispara, a boca fica anormalmente seca, os segundos se transformam em horas,
e aí tudo acontece em segundos, muito poucos, às vezes. Não há
arrependimento, ou não pode haver. Aquele momento de distração custa uma
vida. Para o patrocinador, não há desculpa aceitável. A pressão é grande,
mesmo sem patrocinador. A platéia faz as vezes de.
Imitação da vida, em Bs maiúsculos, os Jogos Olímpicos cobram
mais. Mais patrocínio, mais cobrança, e mais expectativa. São milhões de
olhos, e de dólares, que exigem a perfeição. Afinal, não estão usando aquele
banco e aquele remédio em vão. Pagaram por isso, e podem exigir retorno. É o
código de defesa do consumidor desportivo. Pagou, ganhou. O patrocinador
pagou pela menina bonita, sem voz, que dublou a menina, não tão bonita –
segundo o patrocinador -, com voz. O que importa é a imagem. Questionam as
imagens da abertura, que seriam produzidas pelo campeão da manipulação das
imagens. Questionam os tempos obtidos pelos nadadores. A piscina seria mais
curta? Havia correnteza? A água seria quimicamente aditivada? Ou, o que
poderia parecer impossível, os nadadores eram melhores, frutos da tecnologia
e da fisiologia modernas?
Nas ruas chinesas, jornalistas se revezam em devorar insetos.
Como sair de lá sem comer escorpiões? Nem patrocinador, nem telespectador,
perdoariam. É o preço cobrado pelo esporte.
Feliz daquele rapaz, o Cielo, que certamente fez por merecer.
Rebentou-se durante anos, e triunfou. Foi ao Olimpo, em modalidade
individual. Seu choro de glória derramou a tensão que acomete aqueles que
ousam desafiar os favoritos, e o próprio Olimpo. Ele foi o mais rápido numa
prova que passa num pestanejar. Nem a platéia conseguiu respirar. A mídia
fez um show, fazendo ouvir a música que ele teria ouvido durante aqueles
vinte e poucos segundos rumo à glória. Quem nada, sabe que a água não
permite que se ouça nada, durante uma competição, senão o próprio bater do
coração.
Aos outros, os escorpiões, além da boca seca.
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