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 PAULO SCHNORR                       Contador

Novidades para 2005 – Existem boas perspectivas?

 

Consulta-me um contribuinte sobre como deve planejar o ano de 2005 do ponto de vista dos tributos que deverá recolher no próximo ano. Confesso que a princípio fiquei surpreso com a pergunta pois, usando uma máxima do jornalista Joelmir Beting, “a única coisa que nunca muda é que todo ano muda alguma coisa”. Assim sendo penso que as perspectivas em termos de tributação não são das melhores.

 

Vejo alguns acenos, como os que o governo timidamente tenta-nos dizer que haverá uma correção na tabela do Imposto de Renda na Fonte. Vejo o reconhecimento que o aumento na carga tributária por causa do PIS e da COFINS foi excessivo e que já estão em estudos algumas formas de amainar o aumento de ambos. Por outro lado constato que a previdência social mais uma vez amarga um déficit fabuloso, sendo que quase 10% do PIB está comprometido com o pagamento de aposentadorias e pensões, de acordo com a Revista Exame de 24.11.2004, e que a continuar neste ritmo o sistema previdenciário estará falido em menos de 10 anos. Além disso o número total de beneficiários que hoje é de 21 milhões de pessoas, aumentará significativamente, segundo estudos do IPEA. Como poderá o sistema continuar pagando os benefícios aos segurados sem uma fonte de custeio? A conclusão óbvia é que mais aumentos virão.

 

No que se refere aos contribuintes do ICMS verifica-se mais uma vez que o Estado não tem recursos para pagar o 13o. salário de seus servidores e que de novo, provavelmente, lançará mão do expediente de antecipar a data do vencimento do imposto, com vistas a fazer “caixa”. Como as empresas tendem a repassar os aumentos de tributos aos preços de seus produtos e como a corda sempre rebenta do lado mais fraco, fica claro que quem pagará a conta – de novo – somos nós os contribuintes. Aliás acho esta palavra muito estranha para designar o pagador compulsório de impostos e “contribuições”, pois a palavra designa  “que ou aquele que contribui, que paga contribuição”. A palavra contribuição é “o ato de contribuir, ou parte dada por alguém para uma obra comum” de acordo com o dicionário.

 

Semântica à parte, o que interessa é que devemos todos estar preparados para mais aumentos de tributos e contribuições incidentes sobre o consumo e sobre a “renda”, por assim dizer, da classe média. Recente estudo mostra que a classe média está cada vez mais empobrecida e que há uma tendência a que desapareça, ficando somente as classes “A” e “C” a persistir. Neste sentido a Revista Exame de 15.09.2004 informa que o Brasil em 1995 era a 7a economia do planeta. Hoje ocupamos o honroso 15o. lugar, o que evidencia a nossa involução.

 

Alguns sinais de saída do quadro recessivo já se manifestam, afortunadamente, como por exemplo o aumento no emprego formal, pelos dados do CAGED, de acordo com o Ministério do Trabalho. O aquecimento da economia com as vendas natalinas é outro indicador de melhoria. Queremos que todo o pessimismo seja substituído pelo otimismo e até fazemos força para acreditar que estamos enganados. Sabemos todos que os padrões de consumo estão mudando, que o povo, em geral está mais politizado e que vivemos ainda dias de muitas mudanças, especialmente tecnológicas, mas sabemos também que nunca se trabalhou tanto para prover o sustento, para pagar impostos e contribuições. Havia, na virada do século, uma expectativa de redução na jornada de trabalho, havia a idéia que com a informática, com a melhoria nas comunicações, a automatização e outros confortos da vida moderna, o ser humano trabalharia menos, teria mais tempo disponível para o lazer, para a cultura e o convívio, mas o que se verifica na prática não é nada disso. Estamos lutando cada dia com mais e mais exigências, estamos necessitando enfrentar desafios cada vez maiores e nos tornando reféns de um sem número de exigências que antes não existiam e, sobretudo, estamos empobrecendo em todos os sentidos.

 

E-mail: schnorr.cont@terra.com.br

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SulMix - Paulo Schnorr... Bacharel em Ciências Contábeis pela Unisinos... Vice Presidente e Coordenador da Câmara de Controle Interno do CRC...

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