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Paulo Schnorr

Contador

Como era verde o meu Vale

 

Estamos vivendo dias terríveis em nosso amado Estado do Rio Grande do Sul. Em primeiro lugar a seca que assola o nosso tão precioso território. Nunca vivemos uma situação tão angustiante como ora estamos presenciando. É muito desalentador ver nosso povo sofrendo e a Natureza inclemente. É nessa hora que valorizamos e entendemos a importância da água na vida das pessoas.

 

Mas, o assunto que verdadeiramente queremos abordar é outro. Refiro-me às últimas alterações na legislação do ICMS que já estão sendo implementadas pelo Governo Estadual. É altamente lamentável que haja restrição ou mesmo vedação total na possibilidade de transferência dos saldos credores do ICMS para as empresas exportadoras. Estes créditos que são assegurados constitucionalmente e, mais do que isso, constituem meio de pagamento para as indústrias do Vale do Sinos, foram de uma hora para outra simplesmente transformados em pó.

 

Onde está o direito das pessoas (jurídicas no caso) ao tratamento isonômico a que se refere a constituição? Como fica o direito líquido e certo à cessão destes direitos de crédito do ICMS para pagar parte da compra de matérias-primas? Pode o Estado que não consegue administrar o seu fluxo de caixa transferir a sua incompetência para os contribuintes? Com que direito o Estado muda a regra do jogo, com o mesmo em andamento? Acaso os Srs. Legisladores verificaram se os contribuintes teriam condições de suportar a situação acaso seus créditos fossem retirados da maneira como foram?  Tamanha perversidade é fruto da incompetência, da desinformação e da fúria arrecadatória.

 

O povo precisa saber que não se administra as finanças de um Estado com a supressão dos direitos garantidos por lei. Isto é rasgar a Constituição e também um golpe baixo. Mais que isso, é o reconhecimento da absoluta incapacidade de obter os recursos com os meios legais disponíveis. A sociedade não tolera mais este tipo de atitude. É preciso cerrar esforços, principalmente no nosso Vale do Sinos que foi mortalmente atingido com esta medida, junto as Associações Comerciais, Sindicatos Patronais e de Obreiros, Entidades de Classe em geral, pois a continuar tal absurdo, em breve não teremos mais empresas exportando, a quebradeira será geral e o nosso querido Vale irá passar por uma crise sem precedentes.

 

Por outro lado também há uma crise cambial, com o dólar atingindo valores muito baixos e frustrando sobremaneira os exportadores (mais uma vez), fazendo aumentar ainda mais a situação aflitiva de nossas empresas. Haverá desemprego em massa e tudo o mais que acompanha uma recessão.

 

Ainda, para agravar mais ainda o quadro, o Governo Federal vem tentando elevar mais ainda a já exagerada carga tributária, ao tentar fazer passar a famigerada MP 232 que tanta polêmica tem gerado. As manifestações que vemos todos os dias nos jornais são a prova inequívoca que a sociedade não tolera nem aceita mais este tipo de casuísmo como o da MP 232, onde o que o Governo deveria fazer é tão somente reconhecer o efeito da inflação de 10 anos na tabela progressiva do imposto de renda na fonte e nada mais. A chamada “perda” que alega com a nova tabela, em verdade não ocorre. É bem simples entender: Se o trabalhador, prestador de serviço, empresário, enfim o contribuinte recebeu aumento nestes 10 anos (e de fato isto ocorreu por causa da inflação, que o próprio Governo reconhece e aceita) e a tabela não foi atualizada na mesma proporção, o que houve foi um aumento da arrecadação, pois cada um de nós teve que pagar, ano a ano, mês a mês, maiores valores de imposto de renda, durante 10 anos. Assim sendo pagamos adiantado este imposto e agora (mesmo que tardiamente) estamos sendo parcialmente (apenas 10%) ressarcidos do prejuízo. Na verdade não existe a “perda” de arrecadação. Pois bem, se não há perda e se não houve aumento na carga tributária como alega o Governo, então não temos nada mais a fazer, nem aumentar impostos, nem falar em compensação. Este aumento dos impostos é totalmente incompreensível e repudiável. A lógica utilizada para justificar estas arbitrariedades foi totalmente desprezada.

 

Ultimamente tenho ouvido aqui e ali que o Governo acena com abrandamentos, com descontos a quem preencher este ou aquele requisito (gerar empregos por exemplo), mas sem entrar na discussão principal, ou seja não cogita de simplesmente retirar o assunto de pauta. Isto é apenas tergiversar, passar ao largo, fazer jogo de cena. O povo sabe que esta tática, conhecida como “tirar o bode da sala” não funciona mais. O povo sabe quais são os verdadeiros propósitos do Governo.

 

Além disso tudo, o governo anuncia o aumento da taxa de juros, que é por sinal, a maior taxa de juros do planeta. Isto é penalizar quem ousa ser empreendedor, isto é tolher a iniciativa de quem todos os dias põe seu pescoço a premio, isto é punir antecipadamente aqueles que geram empregos e tem a coragem de empreender.

 

Assim sendo, aqueles que tem condições, aqueles que não tem apego às raízes, aqueles que ainda tem tempo de reconstruir suas vidas em outro lugar tem procurado fazê-lo. Várias são as pessoas que me dizem:

 

O último a sair, por favor, apague a luz”.

 

 E-MAIL DO COLUNISTA: schnorr.cont@terra.com.br

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SulMix - Paulo Schnorr... Bacharel em Ciências Contábeis pela Unisinos... Vice Presidente e Coordenador da Câmara de Controle Interno do CRC...

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