Onde fica a contabilidade?
Estamos
assistindo a uma sucessão de escândalos que parecem não ter mais fim. Todos
os dias somos informados sobre mensalões, recursos de campanha não
contabilizados, lavagem de dinheiro, fraudes em licitações, desvios de
verbas e os depoimentos da CPI dos Correios com as desculpas mais
esfarrapadas que já se viu, chegando às raias do absurdo e que seriam
cômicas se não fossem trágicas.
A
todas estas barbaridades que nos são impingidas diariamente, cada vez mais
perplexos, perguntamos: “Onde está a contabilidade destas empresas, destes
partidos, destes organismos públicos e privados?”.
Certamente
a ciência contábil não está sendo seguida, certamente as instituições
envolvidas estão comprometidas através de seus gestores e, também muito
profundamente por seus contabilistas. Os princípios fundamentais da
contabilidade não estão sendo observados. O que é preciso entender neste
momento é que a sociedade não aceita mais as velhas propostas de resolver os
problemas com mais rigor na legislação fiscal, penal ou comercial.
A
nação possui leis suficientes. O que é necessário é cumpri-las. Não queremos
mais soluções mágicas, não queremos mais ações espetaculares, não queremos
mais jogo de cena. Estamos cansados de notícias sobre recordes de
arrecadação. Estamos fartos de ouvir que os juros estão na estratosfera.
Estamos absolutamente enfarados de ouvir desculpas esfarrapadas.
Como
pode um empréstimo de milhões de reais, feito em um banco nacional,
devidamente assinado pelos representantes legais de um partido político ser
solenemente ignorado na contabilidade deste mesmo partido? Onde está a ética
deste contabilista? Onde está a prestação de contas dos partidos políticos
em geral? Onde está o controle interno? Onde está a auditoria externa? Será
que ninguém viu isso? Como podem os parlamentares favorecidos pelos subornos
recebidos exteriorizarem seus bens sem que nenhuma instituição tenha
percebido o acréscimo havido pelo enriquecimento ilícito? A contabilidade
destas pessoas físicas e jurídicas não pode ser considerada válida, mas sim
como um escárnio ao bom senso e a boa fé de todos os brasileiros de bem.
O
sentimento é que os procedimentos contábeis não vem sendo aplicados em
virtude da impunidade. Pois isto precisa mudar. Se nossos órgãos
fiscalizadores (Sistema CFC/CRCs) agirem de forma exemplar neste e em outros
casos semelhantes, a sociedade verá que ainda temos como nos aprumar. Cremos
que este tombo servirá como ponto de partida para uma reviravolta total não
só na política mas também na utilização correta e ética da contabilidade.
Esperamos que os resultados da CPI não terminem mais uma vez em pizza, mas
que os corruptos e os corruptores sejam exemplarmente punidos. Não aceitamos
mais que um ou outro líder sejam imolados para satisfazer à opinião pública.
Queremos que todos, absolutamente todos, sejam responsabilizados de forma
cabal e definitiva.
Em
nome da moralidade e da ética precisamos que toda a classe contábil se uma,
manifeste sua indignação, lembre bem destes tempos que vivemos, para que
nossa profissão seja mais valorizada e melhor utilizada no futuro.
|