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Outro dia alguém me
perguntou: O que devo esperar de um contador? Esta simples e direta pergunta
não tem uma resposta simples. Começa pela definição do que é um contador.
Pois diria que um contador tem uma missão primordial: contar. Isto mesmo o
contador é um historiador, um narrador qualificado de todos os fatos que
ocorrem e que tem significância para uma entidade, uma empresa, uma azienda.
Estes fatos e os atos de gestão precisam ser mensurados, avaliados e
quantificados, passando então a serem historiados no Livro Diário. Estas
histórias devem ser escritas de forma cronológica, ordenada, catalogando
todos os eventos de maneira lógica e compreensível a todos. Os registros
contábeis devem estar revestidos dos preceitos legais, bem como responder a
algumas indagações, tais como: O quê? Quando? Como? Por quê? Quanto? É
legal? Foi autorizado? É idôneo? Desta forma estaremos registrando os
eventos para a posteridade. Ao registrar tais fatos estaremos contando a
história, a vida de uma entidade, com o propósito de gerar as informações
necessárias e imprescindíveis para os seus usuários. Quem seriam estes
usuários? Podemos enumerar alguns: os dirigentes das entidades, os
proprietários, os sócios, os acionistas, os quotistas, os colaboradores, os
clientes, os fornecedores, os órgãos governamentais, a comunidade em geral,
as entidades co-irmãs, os concorrentes, etc....
Mas e daí? O quê fazer com
os informes? Para que servem os relatórios? A papelada, a burocracia e o
monte de impostos que temos que pagar? É para isso que serve a
contabilidade? Pois entendo que também podemos analisar deste ângulo, tendo
em vista que nenhum organismo pode prescindir das informações que o contador
gera diariamente, de modo a conduzir, a tomar decisões sobre o rumo de suas
atividades. É do nosso trabalho diário que surgem as informações necessárias
para que seja promovida a arrecadação, sejam abastecidos os bancos de dados
do governo, sejam proporcionados inputs indispensáveis para o cumprimento de
prazos, a correta tomada de decisões. Mas também existem outros ângulos a
serem analisados. Por exemplo: o registro das relações humanas, pelo Balanço
Social, a interação da entidade com a comunidade, pela geração de renda,
emprego e salário, o registro do valor agregado, da mais valia de uma
operação, tudo isso também é atribuição do contador. Quando uma empresa
deseja acompanhar o desempenho de sua produção, verificar a rentabilidade de
um produto específico, ouvir um conselho sobre a importância de determinado
produto na sua linha de produção é a um contador de custos que irá recorrer.
Se a empresa quiser ter a certeza de que sua empresa está operando sem a
ocorrência de irregularidades, sem erros em seus departamentos, sem fraudes
ou subornos, irá recorrer sem dúvida a um auditor, que é por formação, um
contador.
O contador também é
indispensável na aplicação dos preceitos legais ao quotidiano das empresas.
É muito bem sabido que as empresas necessitam de um assessor jurídico, um
advogado, não temos dúvida disso. Mas o contador é o elo de ligação entre a
entidade e o corpo jurídico, na medida em que interage com todos os
departamentos, funcionando como um consultor, um controller, um elemento de
apuração e depuração dos fatos na origem, orientando às empresas sobre a
qualidade e a maneira como devem ser executadas as operações, sem que deixem
de ser observados os mandamentos legais.
O contador é também, muitas
vezes, um conselheiro, um ombro amigo a procurar saídas, alternativas, a
sugerir opções, a resolver problemas, muitas vezes criados sem a sua
participação. O contador é aquela pessoa que tem o dever de ouvir, de
receber informações, novidades, estar sempre atualizado, ligado nas
novidades (e elas são tantas). É preciso que o contador saiba filtrar os
informes que recebe e os interprete para o bem de seus usuários. O contador
precisa ter muitas habilidades, tais como, conhecimento de informática, de
relações humanas, um pouco de psicologia, conhecer mais um idioma, pelo
menos, ter capacidade de autocontrole, ter habilidades de conversação, ter
visão global, saber argumentar, ser atilado, possuir sólidos conhecimentos
técnicos em contabilidade, mas também saber o que é e o que não é ético,
participar da vida de sua comunidade, saber ser patrão, empregado,
fornecedor e cliente, tudo ao mesmo tempo.
Ao longo do tempo estas
habilidades serão desenvolvidas em maior ou menor grau, conforme suas
aptidões e tendências, para que ele possa oferecer: parceria,
confiabilidade, credibilidade, qualidade, serenidade, exatidão, franqueza,
honestidade, valorizando sempre as informações que gera e aproveitando-as
para o perfeito uso, recebendo em troca a justa remuneração pelo seu
trabalho.
Nosso papel num mundo onde a
competitividade é grande, onde as oportunidades são cada vez menores, onde a
disputa é por frações, por centavos, onde não se pode errar, é o de fazer as
escolhas certas, orientar nossos usuários, de maneira ética e transparente,
oferecendo-lhes os melhores rumos, enfim é o de acertar sempre.
Somos formadores de opinião,
temos enormes responsabilidades sobre aquilo que fazemos, mas também somos
bastante responsabilizados se nos desviarmos do rumo, porque a sociedade
assim o exige.
Assim sendo acho que as
pessoas esperam de um contador tudo isso e muito mais ainda, pois nossa
profissão está em constante crescimento e é cada vez maior a nossa
responsabilidade.
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