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Paulo Schnorr

Contador

Impressões sobre a Bahia

 

Estivemos representando o Conselho Regional de Contabilidade do Rio Grande do Sul na 26 Conferência Interamericana de Contabilidade que se realizou no período de 23 a 26 de outubro de 2005. Neste encontro mais de 2.000 profissionais da contabilidade do mundo inteiro estiverem presentes para discutir e avaliar a profissão contábil através de palestras, painéis e trabalhos que foram divididos em 10 áreas:

 

1.       Investigação Contábil

2.       Auditoria

3.       Setor Governamental

4.       Educação

5.       Administração e Finanças

6.       Ética e Exercício Profissional

7.       Integração Econômica e Fiscal

8.       Auditoria Interna

9.       Pequenas e Médias Empresas

10.    Sistemas e Tecnologia da Informação

 

Nestes 4 dias pudemos acompanhar alguns trabalhos ao vivo e outros por meio do material eletrônico e impresso que nos foi disponibilizado pela Fundação Brasileira de Contabilidade, pelo Conselho Federal de Contabilidade, pela Associação Interamericana de Contabilidade, pelo Conselho Regional de Contabilidade da Bahia e pelo IBRACON.

 

O lema escolhido para o evento foi, a nosso juízo, muito apropriado, por dizer:

“Restaurar a Confiança da Profissão mediante a Transformação de Seus Paradigmas Vitais”

 

Justamente na área 1 – a da Investigação Contábil – sub item 1.1 Causas das Irregularidades Contábeis e seus Efeitos no Desenvolvimento da Profissão – é que reside o assunto que desejo por ora abordar.

 

O autor do trabalho Rafael Franco Ruiz desenvolve a idéia central de que nossa profissão é fundada em 2 escolas a anglo-saxônica e a contabilidade latina. A contabilidade anglo-saxônica tem sido aquela que apresenta historicamente menos problemas, especialmente quando se verifica que os recentes escândalos contábeis havidos foram mais fortemente desenvolvidos nos estados latinos ou por empresas que elaboram suas contabilidades em conformidade com os padrões latinos. A idéia central do autor do trabalho é que há uma nebulosidade na responsabilidade dos auditores independentes, visto que por questões de estratégia organizacional se estabelecem em um único país, as vezes em uma única cidade e mantém com baixo capital investido associação com outras empresas de auditoria em países diferentes, sem qualquer vínculo efetivo, apenas se utilizam do nome comercial para alcançar seus propósitos. Outra manobra que visa estabelecer confusão na questão da responsabilidade do auditor é a que formulam-se contratos de prestação de serviços onde se inserem cláusulas pelas quais se eliminam todas as obrigações de repor os danos originados pela má execução dos trabalhos, tampouco assumindo os riscos decorrentes de um parecer mal feito. A terceira estratégia é a de inserir nos informes de auditoria uma linguagem difusa, carente de significado, utilizando-se de termos inexistentes, neologismos e sofisticação. A quarta estratégia das empresas de auditoria para criar esta névoa é a de atribuir a responsabilidade por maus trabalhos através de apólices de seguros que não cobrem os danos eventualmente causados. Há uma clara tentativa de despersonalizar a responsabilidade do auditor, quando o que a sociedade está a exigir é justamente o contrário. Quando se busca o parecer do auditor, o que se quer não é somente o cumprimento de uma obrigação legal, mas sim uma opinião sobre o negócio, um parecer sobre o andamento total da empresa, sua inserção na sociedade e as perspectivas de futuro.

 

O trabalho discorre sobre os co-autores do desastre, a saber:

 

-          Os gestores do negócio

-          O Estado desregulamentador

-          A administração inventiva

-          Os construtores da informação

-          O sistema de controle interno

-          A auditoria interna

-          Os qualificadores de riscos

-          As corretoras de valores

-          Os analistas financeiros e os bancos de investimento

-          Os organismos de regulação profissional.

 

Assim sendo o trabalho discorre sobre as alternativas que se colocam à disposição das autoridades e dos usuários das informações contábeis, concluindo que se deve harmonizar tanto quanto possível as duas escolas, discutindo as melhores opções que uma ou outra oferecem, adequando os regramentos nacionais às exigências internacionais obrigando os auditores a assumir as responsabilidades que a sociedade espera que eles assumam.

 

Certamente outras conclusões foram obtidas no magnífico conclave, mas somente este primeiro trabalho já compensou nossa viagem.

 

 E-MAIL DO COLUNISTA: schnorr.cont@terra.com.br

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SulMix - Paulo Schnorr... Bacharel em Ciências Contábeis pela Unisinos... Vice Presidente e Coordenador da Câmara de Controle Interno do CRC...

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