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Leio que a Receita Federal
está fazendo uma devassa na contabilidade e nas declarações de renda de um
partido político que andou fazendo recebimentos e pagamentos “não
contabilizados”. Leio que o partido pediu desculpas por depositar 1 milhão
de reais na conta da empresa do vice-presidente da República sem que o tal
depósito tivesse sido contabilizado. Leio que os recursos do Valerioduto
parecem não ter fim, pois a todo momento aparecem mais “beneficiários” do
esquema. A todas essas, pergunto: “Onde está a contabilidade?” “Como pode o
contador do partido assinar a Declaração de Rendimentos, o Balanço
Patrimonial e as demais peças contábeis?”Será que teremos de aceitar estas
barbaridades sem uma satisfação por parte de nossas autoridades?” Não
podemos aceitar mais estas falsidades, este escárnio com a nossa cidadania.
Entendo que os gestores públicos, oriundos dos partidos políticos que os
colocaram na condição de administradores, devem saber que o povo nunca
esteve tão atento, tão ciente de seus direitos, bem como que nas próximas
eleições haverá a resposta nas urnas. Acho até que os órgãos de fiscalização
como, por exemplo, a Receita Federal estão agindo de maneira muito acertada,
sem se importar se os desmandos estão sendo praticados por aqueles que
ocupam altos cargos do executivo ou do judiciário ou do legislativo. A lei
foi feita para todos e a punição aos infratores deve ser exemplar justamente
para aqueles que estão no comando. Desta forma nos anima saber que existe
uma transparência na divulgação destes procedimentos fiscalizatórios, assim
como os havidos por ocasião das averiguações das empresas Schincariol e
Daslu. Creio que a sociedade precisa saber o que está ocorrendo, que se
houve sonegação, “caixa 2”, ou outras manobras o imposto sonegado ou o
proveito indevido obtido devam ser devolvidos a quem de direito: a própria
sociedade. Acompanhando os desdobramentos dos fatos, saberemos o que será
feito com os maus políticos, com os maus empresários, assim como teremos um
melhor juízo de valor dos nossos próximos escolhidos. Queremos que a
sociedade diga que não suporta mais estas coisas e quer sempre a clareza e a
transparência, com uma contabilidade correta e bem feita.
Por outro lado, estamos
muito preocupados com um outro aspecto da nossa pátria, ao nos deparar com a
sonegação, a pirataria, a economia subterrânea, com a burocracia sem fim,
com a corrupção que corrompe o tecido social, ao permitir a existência de
contrabando, de descaminhos como as drogas sob os olhos complacentes de
nossas autoridades. Não compartilhamos com a idéia de que o trabalho do
informal é um problema social, que se houver a interferência do poder
público o “pobre do trabalhador” vai ficar sem o pão de cada dia, que
devemos entender que este dinheiro mais cedo ou mais tarde vai ingressar no
mercado formal, etc, etc..... Ao sermos complacentes com isso, estamos
passando a mão por cima da sonegação, da corrupção, do descaminho, do
subterrâneo e do jeitinho tão condenável. A pirataria só beneficia e aumenta
estas mazelas, por isso é necessário que o povo que consome tais produtos
saiba disso, bem como não compactue com a mesma, não concorde com as mesmas
e tenha consciência de que se todos pagarem impostos a carga tributária será
muito menor. O fenômeno da fúria arrecadatória certamente diminuirá se mais
pessoas passarem à condição de contribuinte.
Neste sentido lemos também
que a arrecadação de tributos bateu mais uma vez todos os recordes, enquanto
o PIB Produto Interno Bruto não pára de diminuir. É visível a preocupação do
fisco em anunciar com constrangimento este “feito”, pois isto evidencia a
prática errada da política fiscal. Aliás, por causa disso é que estão
surgindo as chamadas MPs do Bem, em âmbito nacional e até estadual. Então se
o Estado pode abrir mão de recursos, via renúncia fiscal, isto é um sinal de
que eles começam a reconhecer que havia excessos na arrecadação, assim como
se existe a MP do Bem é porque todas as anteriores eram “do Mal”.
Este é o Brasil em que
vivemos, os contrastes que encontramos, as mazelas que testemunhamos, este é
o país das “Daslu” ou das “Daspu”? Este é o país da classe média sacrificada
e achatada, ou o país da classe pobre cada vez mais pobre, sem assistência
social, sem saúde pública, sem garantia de segurança ou o país da Varig que
é vendida pelo valor de menos do que uma aeronave sucateada? Este é o Brasil
dos que riem do povo e esquecem das promessas de campanha e ainda querem se
reeleger ou dos defensores intransigentes da legalidade, do cumprimento de
todas as normas éticas e morais? Este é o país dos índios que perambulam
pelas ruas ou dos “sem terra” que tem casa, carro e cargo e verba do
governo?
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