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 PAULO SCHNORR                       Contador

O que é isso companheiro?

 

Pretendo me congratular com a ACLAME Associação da Classe Média, que no dia 25 de maio irá comemorar o Dia sem Impostos. A iniciativa da entidade que conta com o apoio de diversas outras associações e organizações, pretende marcar o dia como um protesto pela alta carga tributária que o Brasil possui. Para chamar a atenção, algumas empresas venderão seus produtos e serviços sem cobrar o valor dos tributos devidos (embora façam o devido recolhimento), visando demonstrar à sociedade o quanto representa para o povo consumidor ou adquirente de suas mercadorias. Estudo realizado mostra que se dividirmos o total do que ganhamos ao longo de um ano e convertermos em dias, conclui-se que devemos entregar ao governo (federal, estadual e municipal) o equivalente a 144 dias, ficando 221 dias para atender nossas necessidades. Se fosse possível trabalharíamos até o dia 24 de maio exclusivamente para pagar os impostos, ficando “livres” a partir do dia 25 de maio, quando então poderíamos passar a trabalhar para auferir rendimentos próprios. Em todo o país serão realizados eventos semelhantes, pois temos notícia de que em São Paulo a FIESP realizará o seu protesto igualmente.

 

Se, por um lado nos deparamos com o quadro acima, por outro vemos alguns destaques nos periódicos respeitáveis que nos dizem que a arrecadação federal bateu todos os recordes em março de 2004, quando se verificou um aumento de 15,6% se comparada com a arrecadação de igual período do ano passado. Segundo informações publicadas na Veja, a tabela de incidência do imposto de renda só muda no ano que vem, ou seja, vai continuar aumentando o número de contribuintes a recolher o imposto pois é óbvia a defasagem que há na tabela, pelo fato da mesma não ser reajustada desde janeiro de 2002. Só para termos uma idéia, se corrigirmos um salário pelo igpm neste período teremos um aumento de 47,70%, o que certamente demonstra o quanto à tributação deste imposto está onerando a classe média principalmente, mas também a classe média-baixa, que passou da condição de isenta para a de contribuinte do IR pelo fato de ter seus salários simplesmente atualizados pela inflação. Resta claro que está havendo uma distorção muito grande neste ponto.

 

Verificando mais ainda o que diz a pesquisa do IBGE – órgão oficial de estatística e fonte confiável de dados, inclusive utilizada pelo governo para a definição de suas decisões – consta que as famílias, de acordo com a pesquisa realizada entre 07.2002 e 07.2003 sofreram profundas mudanças nos seus hábitos de consumo, nos últimos 30 anos. A leitura dos resultados é altamente recomendada no site http://www.ibge.gov.br  . Pela mesma constata-se que em 1974 as famílias destinavam 74% de seus dispêndios para o consumo, 14% para aumentar o seu patrimônio, 6% para outros gastos e o restante para diminuir suas dívidas. Já em 2002/2003, os dispêndios familiares passaram para 82% para o consumo, 4% para aumento do patrimônio, cerca de 2% para diminuição de dívidas e 12% para outros gastos.

 

Analisando melhor o item “outros gastos”, a pesquisa informa que em 1974- 1,19% destinavam-se ao pagamento de impostos, sendo que em 2002/2003 este valor subiu para 4,46% do total dos gastos. Conclui-se que houve uma redistribuição dos gastos familiares com a quase totalidade dos ganhos direcionada para o consumo, visto que não havia mais condições de ser de outra forma. A revista Veja afirma “maioria chega ao fim do mês sem dinheiro”, citando a pesquisa do IBGE.  A revista EXAME na edição de 21.04.2004 informa que o aumento do salário mínimo foi de apenas 8,33% em razão do rombo que a previdência social teria se o aumento fosse maior. Para cada real a mais, haveria uma despesa  de 12 milhões de reais para os cofres do INSS.

 

Por tudo o que expusemos pode-se concluir que há um achatamento muito grande de salários, uma péssima distribuição da renda, uma queda acentuada no consumo e um grande incremento na arrecadação. Resta evidente que estamos vivendo dias de crise, de arrocho, mas batendo recordes de arrecadação. Se não houve aumento de consumo, se não houve aumento de salários, se não houve aumento no Produto Interno Bruto, está claro que estamos trabalhando para pagar impostos. Desta forma diminui consideravelmente o dinheiro circulante, o consumo, a geração de empregos, enfim um quadro de recessão. Entendo que, portanto não há motivos para comemorar o tão propalado aumento de arrecadação de tributos, mas sim de lamentar que tal fato esteja acontecendo. Por isso conclamo a todos os leitores a se manifestarem no dia 25 de maio, enviando a seus conhecidos, amigos e para os políticos em quem votaram o seu protesto, a sua indignação, pois somente desta forma poderemos conscientizar as pessoas de que o Brasil precisa mudar.

 

E-mail: schnorr.cont@terra.com.br

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SulMix - Paulo Schnorr... Bacharel em Ciências Contábeis pela Unisinos... Vice Presidente e Coordenador da Câmara de Controle Interno do CRC...

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