|
Temos ouvido ultimamente algumas palavras que nos fazem
refletir: - Ruptura, consciência, recuo, rejeição, coração do sistema,
tecido social, arrecadação, distribuição de renda. Estas palavras não são
meras figuras de retórica, jogadas aleatoriamente em discursos políticos ou
de utilização em cerimônias oficiais, mas sim palavras do dia a dia de
nossos periódicos – jornais, revistas e livros – que nos chegam ao
conhecimento quase que nos desafiando a pensar.
Outro dia vimos todos o que aconteceu com os transportes
urbanos de Florianópolis, onde os estudantes se rebelaram com o aumento nas
tarifas dos ônibus e, por atos de verdadeira rebelião não permitiram o
aumento pretendido e obtiveram pela imposição de sua vontade o recuo das
autoridades e não deixaram acontecer o pretendido acréscimo.
O mesmo se deu em Guaíba, onde parte da população não
suportou a idéia de arcar com mais esta despesa e depredou algumas unidades
de transporte coletivo, inclusive com muitos prejuízos para todos, inclusive
e principalmente, à empresa concessionária do serviço público.
Estas manifestações populares são evidentes sinais de
que a sociedade está às portas da ruptura, de que não suporta mais a
imposição de tantos ônus como os que vem sendo impostos. A rebeldia não pode
e não deve ser encarada como um ato de contestação puro e simples, não pode
ser vista como uma vontade de fazer barulho, como um ato de afronta, como
uma bravata, como uma indisciplina, mas sim como uma rejeição ao abuso, uma
resistência ao autoritarismo e à maneira antiga de se fazer as coisas. Não
toleramos mais que a cada crise se estabeleça como solução o aumento de
tarifas, de impostos, etc. Não estamos pregando, em absoluto, a revolução, a
quebradeira, a violência e muito menos a guerra civil.
Somos um povo ordeiro, somos uma nação composta por
todas as etnias e temos um país maravilhoso, que é rico pela própria
natureza, que é pródigo em calor humano, que é capaz de muito mais do que se
imagina. Somos também capazes de suportar mudanças e estamos aprendendo a
discutir todos os assuntos, seja de que origem for. Estamos desenvolvendo
nossa consciência, estamos formando uma identidade e não somos mais massa de
manobra como outrora.
O próprio governo federal sentiu esta realidade no
recente episódio do aumento da alíquota da previdência social, que passaria
de 20 para 20,6% à guiza de fazer caixa decorrente de mais um rombo no INSS,
por culpa de maus governantes que não pagaram na época o que era devido.
Como a situação era e é urgente, a solução, mais uma vez, foi a de onerar a
Folha de Pagamento, aumentando a conta dos contribuintes (que somos todos
nós). Aliás, já se disse, com muita propriedade, que quem paga os impostos
não são as empresas, mas sim os consumidores, pois é neles que arrebenta
sempre a corda.
Então dentro da tática da cultura do “quanto pior,
melhor”, o governo divulgou, como um balão de ensaio, a noticia de que
aumentaria a alíquota da previdência social, para ver a repercussão. Se
ninguém reclamasse, certamente haveria o aumento. Como a própria base
governista foi contra e a repercussão foi enorme, ouvimos o governo dizer
que iria nos poupar desta vez, mas que certamente haveria compensação com
outros tributos, quem sabe com a criação de um novo, talvez. O certo é que
já fomos avisados e convém ficar atento.
Fica muito claro que estamos a cada dia mais
politizados, mais atentos a tudo o que nos cerca e que temos muita força. A
sociedade brasileira está atenta a tudo o que acontece e espera que novos
aumentos de carga tributária, novas tentativas de confisco ou de
transferência de responsabilidade não mais sejam intentadas de forma
atabalhoada e autoritária.
Esperemos pois que sejamos todos bem conscientes ao
escolher nossos governantes, bem ciosos de nossa importância para buscar
novos horizontes, cuidando para que nossos filhos possam receber a herança
da virtude, do caráter, da sabedoria e do orgulho de ser brasileiro.
E-mail:
schnorr.cont@terra.com.br |