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 PAULO SCHNORR                       Contador

Um quadro desolador – Como conviver com a ganância

 

Análise muito bem realizada por contabilistas Carlos Castro, presidente da FENACON – Federação Nacional das Empresas de Serviços Contábeis e Wilson Zappa Hoog, professor universitário e profissional contábil, bem como com o apoio do IBPT – Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário, presidido Sr. Gilberto Luiz do Amaral, devidamente publicada na Revista Brasileira de Contabilidade, número 148, edição de julho e agosto de 2004, cuja íntegra recomendo a leitura, chega a diversas conclusões sobre os 10 anos do Plano Real, mas quero neste singelo artigo destacar apenas alguns aspectos, principalmente o que se refere à arrecadação tributária neste período, em confronto com o PIB Produto Interno Bruto. Na pagina 16 está transcrito o seguinte quadro:

 

                          ARRECADAÇÃO TRIBUTÁRIA GERAL EM R$ MILHÕES

 

ANO         Arrecadação total                   % sobre o PIB                       PIB

1993                107.879                                     25,09                            429.968

1994                136.733                                     28,61                            477.920

1995                186.858                                     28,62                            646.192

1996                212.581                                     27,29                            778.887

1997                239.191                                     27,47                            870.743

1998                268.117                                     29,33                            914.188

1999                304.941                                     31,31                            973.846

2000                361.696                                     32,84                         1.101.255

2001                403.745                                     33,68                         1.198.736

2002                482.468                                     35,84                         1.346.028

2003                546.968                                     36,11                         1.514.924

 

O quadro considera todos os tributos: federais, estaduais e municipais.

 

A par da estabilidade da moeda que vimos sentindo ao longo destes 10 anos, o que muito valoriza e prestigia a nossa profissão, verifica-se que o crescimento do PIB foi de 252,33% no período, contra um crescimento na arrecadação de 407,02% em igual período.

 

No quadro abaixo faremos a comparação da população brasileira, de acordo com os dados coletados no site www.ibge.gov.br, face à arrecadação que cada brasileiro contribuiu e com o que cada brasileiro produziu:

 

ANO               População                PIB per capita       Arrecadação per capita

1993              153.985.576                    2.792,26                              700,57

1994              156.430.949                    3.055,14                              874,07

1995              158.874.963                    4.067,29                           1.176,13

1996              161.323.169                    4.828.11                           1.317,73

1997              163.779.827                    5.316,54                           1.460,44

1998              166.252.088                    5.498,80                           1.612,71

1999              168.753.552                    5.417,29                           1.807.01

2000              171.279.882                    6.429,56                           2.111,72

2001              173.821.934                    6.896,34                           2.322,75

2002              176.391.015                    7.630,93                           2.735,21

2003              178.985.306                    8.463,95                           3.055.93

 

Verifica-se que o PIB per capita evoluiu no período em 203,12%, assim como a arrecadação per capita evoluiu em 336,20% no mesmo tempo. Isto significa que estamos crescendo, mas este crescimento está sendo direcionado ao pagamento de tributos. Verifica-se que o cidadão está mais produtivo, que o país está crescendo, mas também constata-se que o esforço não está sendo recompensado, pois tudo o que é adicionado é destinado ao pagamento de impostos. Se não houver geração de novos empregos, se não houver circulação de bens e serviços, se não houver mais poder aquisitivo, este incremento de arrecadação de nada adiantará, pois em breve poderemos estar em um quadro recessivo que será muito grave e talvez irreversível. Precisamos entender que a simples quebra de recordes de arrecadação pura e simples não é sinal de recuperação da economia, não é sinônimo de crescimento, mas pode ser um sinal de que o povo não suporta mais tamanha carga tributária e que é preciso uma reforma urgente, que não seja apenas promessa de campanha ou de um remendo tributário como o que vimos assistindo ultimamente. Temos a convicção que a sociedade brasileira saberá no momento oportuno manifestar sua inconformidade com este quadro desolador. Entendemos que este estado de coisas precisa mudar e não podemos ficar à espera da decisão de nossos governantes, mas sim manifestar nossa opinião, discutir o assunto amplamente, sugerir aos nossos colegas o que pode ser feito e sensibilizar aos nossos dignitários sobre a questão. Precisamos melhorar a contraprestação pelos pesados impostos que pagamos. Não estamos recebendo a retribuição que merecemos. A evolução que foi aqui apresentada mostra bem o que está ocorrendo, podendo ser constatado que diversos governos já se sucederam no período, tanto no nível federal, como nos Estados e nos Municípios. Portanto não é uma crítica político-partidária, tampouco uma manifestação de decepção com esta ou aquela autoridade, mas sim um pedido de reflexão.

 

E-mail: schnorr.cont@terra.com.br

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SulMix - Paulo Schnorr... Bacharel em Ciências Contábeis pela Unisinos... Vice Presidente e Coordenador da Câmara de Controle Interno do CRC...

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