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Ninguém está preparado para o “surpreendente”. Até existe
quem preveja o que pode ocorrer mais adiante, mas antes do fato, tudo é
palpite.
Quem imaginava, por exemplo, que Rigotto, o líder das
pesquisas, não passaria nem do primeiro turno? É claro que hoje a derrota do
governador aponta respostas em várias direções. Ele não combateu o corrupto
governo federal, de quem foi aliado por muito tempo, tão pouco mostrou
preocupação com a crise que atingiu o setor exportador, principalmente de
calçados, aqui no Vale do Sinos. Além da própria inoperância, Rigotto ainda
enfrentou o revés da polarização entre dois candidatos, a mesma que o
beneficiara quatro anos antes.
Ou alguém imaginava que o então deputado federal, que havia
perdido a prefeitura de Caxias do Sul para o PT, sairia de pífios 3% no
começo de campanha para a eleição em 2002?
A política, aliás, é surpreendente. Lula, o presidente
“reeleito” em primeiro turno em todas as pesquisas, segue em campanha pelo
segundo mandato. Alguns corruptos do “mensalão” e das “sanguessugas”
ganharam - incrivelmente - mais uma chance. Tudo bem que no Brasil esse tipo
de situação não é tão surpreendente assim, afinal, ainda somos um país
atrasado em várias áreas, principalmente na relação eleitoral. Porém, é de
“botar as barbas de olho” quando ladrões e líderes de verdadeiras quadrilhas
continuam sendo eleitos. E isso não acontece apenas em razão da
promiscuidade que existe entre o eleitor e seu candidato. O Brasil ainda
padece da falta de informação.
Dias depois do primeiro turno, a equipe de reportagem do
Jornal Dois Irmãos foi às ruas tentar explicar o motivo pelo qual, num
município de 18 mil eleitores, receberam voto 258 diferentes candidatos a
deputado federal e 173 a estadual. Mas isso ainda não foi o mais
surpreendente. O que espantou de verdade foi o fato de gente que não se
lembrava mais em quem tinha votado para deputado quatro dias antes. Um
cidadão chegou a dizer que deu seu voto a Olívio e Yeda. Até agora não
entendi como ele conseguiu... E o pior que não era gente fazendo piada, não!
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