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Esse vai ser um Natal mais vermelho do que nunca. Confesso
que a cor não é a minha favorita. Aliás, desde pequeno, ao contrário das
outras crianças, eu gostava do que era diferente. Meu Papai Noel preferido,
por exemplo, era o azul - apesar da tradição pelo vermelho. E nem eu sei por
que tinha essa preferência, simplesmente gostava mais do azul. Coisa de
criança... Mais tarde, porém, esse sentimento começou a fazer sentido. Não
era birra. Era algo instintivo, meio genético. Uma diferenciação que a gente
traz no DNA.
Aposto que, se um dia fizerem um teste em mim, vão encontrar
lá, em algum cromossomo, a inscrição “Azul do Grêmio”. Mas essa minha
predileção pelo azul no Natal não tem só a ver com meu time do coração.
Depois de um tempo eu percebi que o azul tem maior relação com o Natal do
que o vermelho. O céu, por exemplo, é azul. E céu tem a ver com Deus. E o
Natal nada mais é do que a festa pelo nascimento de Jesus Cristo, filho de
Deus e Salvador do mundo. Essa mesma cor tem significado de paz, de
tranqüilidade, que é justamente o que mais se busca nesta época do ano. Isso
sem falar na imensidão dos oceanos...
Esse Natal, porém, continua sendo mais vermelho do que nunca,
e não é só por causa do Papai Noel. O Inter, infelizmente, foi campeão do
mundo - algo que eu pensei que nunca iria presenciar. E em cima do
Barcelona, do “traidor” Ronaldinho. Traidor porque, depois de uma saída
turbulenta do Olímpico, o grande craque do futebol mundial na atualidade
teve a chance de se reconciliar com a torcida que o acompanhou desde a
infância. Mas não o fez; fracassou, para desespero dos gremistas. E isso é
só um detalhe. Assim como a brincadeira das cores e seus significados. Até
porque, Deus não tem cor. Ele é o todo do qual fazemos parte. E como parte
do todo, por vezes também somos o todo em parte. Deus, através do seu filho
Jesus, não faz qualquer diferenciação em relação aos seres humanos. Somos
todos iguais, sua imagem e semelhança.
É claro que, entre nós, somos diferentes como indivíduos,
tendo cada um suas preferências. Mas isso também é uma forma de Deus
permitir a convivência neste mundo, fazendo com que as pessoas se
complementem e se completem em seus atos e pensamentos. E olha que antes de
começar a escrever esta coluna, eu nem fazia idéia do que falar sobre o
sentido do Natal. Agora, depois de chegar até aqui, percebo que o Natal é
justamente isso: a união das diferenças, dentro de um espírito de
fraternidade, e o congraçamento entre as partes, partindo do princípio que
Deus projetou para nós. O Natal, aliás, é uma época especial para esse
momento de reflexão sobre a relação de nós com nós mesmos e com nossos
irmãos.
Por isso, penso que o Natal é a síntese do plano divino. Esse
é o espírito que Deus quer que prevaleça em nosso dia-a-dia: de amor, de
doação e de entendimento... apesar das nossas diferenças. Feliz Natal!!!
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