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O Ariovaldo, ou Ari, como o
chamavam, era um repórter novo no jornal. Entrou no periódico de médio porte
e desde então, sempre trabalhou na editoria de esportes. Gostava e conhecia
o assunto, por isso fora inicialmente destinado para essa área.
Era uma quarta. Ariovaldo
chegava para mais um dia de trabalho, já pensando no material que precisaria
para cobrir os jogos de futebol daquela noite, quando o diretor de redação
mandou-lhe chamar em sua sala. Ariovaldo ingressou na sala e o diretor, que
estava em um “dia daqueles”, mal lhe olhou e secamente ordenou, entregando
alguns papéis sobre o crime – Faça a cobertura deste assassinato! Pensou em
argumentar que não era da editoria de polícia, mas acabou desistindo,
afinal, precisava do emprego.
Com os papéis que o diretor
havia lhe entregado em mãos, Ari decide ir primeiramente a delegacia de
polícia. Seria a primeira vez que pisaria profissionalmente em uma, pois a
única vez anterior fora para registrar o furto de uma bicicleta.
Abriu a porta preta de
acesso e entrou na delegacia. Um forte choro ecoou logo que ingressou.
Fechou a porta, e escorou-se no balcão da recepção. No interior da delegacia
a movimentação era intensa. A delegacia possuía dois corredores, uma para a
esquerda que levava para as selas prisionais, e um reto, onde estavam
distribuídas às salas administrativas e o banheiro. Ari cumprimenta uma
testemunha que aguardava para depor justamente sobre o caso do assassinato
que ele estava cobrindo. Espera alguns minutos até ser recepcionado por um
escrivão. Pede para falar com o delegado. Enquanto aguarda, começa a coletar
dados com a referida testemunha.
O delegado aparece e,
apressado, indaga – Qual o assunto? Ari começa explicar o motivo da sua
presença, que gostaria de entrevistá-lo sobre o crime, mas o delegado, que
não pára para conversar, pois caminha de um lado a outro, entrando e saindo
das salas resolvendo os problemas, desaparece por alguns segundos. Quando
reaparece ordena – Puxa no bloco então! E começa a descrever a cena do
crime.
Quando Ari vai fazer a
primeira pergunta, chega um agente funerário, trazendo uma certidão de
óbito. O delegado “interrompe” a entrevista para atendê-lo. Retorna
questionando – Onde paramos? E ele mesmo responde – Ah sim! E continua a
falar sobre o crime. Ari consegue fazer algumas perguntas ao delegado, mesmo
ele não parando especificamente para respondê-las, mas em cada “passagem”
obtém uma resposta, quando novamente prantos desesperados de choro voltam a
ressoar, vindo de uma das salas. É a vizinha da vítima do tal assassinato
que está indo embora. Era testemunha. O delegado sem paciência exige – Pára
de chorar que não era o teu filho! Prontamente um silêncio tomou conta do
lugar.
Entre essas idas e vindas do
delegado, Ari vai conseguindo “arrancar” respostas para os seus
questionamentos, anotando tudo em seu bloco escorado no balcão. Foi quando
ela apareceu. Vestindo uma calça azul de brim, a loira de cabelos longos e
seios fartos “desfila” em frente aos seus olhos, passando sensualmente a
língua sobre o lábio inferior. Trabalhava no setor de perícia. Suspirando,
Ariovaldo esquece por segundos onde se encontrava. Foi “despertado” quando
policiais entraram abruptamente na delegacia com um preso.
A coleta de dados da
primeira reportagem policial da vida do Ari estava quase finalizada,
faltando apenas descobrir o nome ou apelido do assassino foragido. Na
primeira vez que questionara, o delegado apenas redargüiu - Já identificamos
o criminoso e sua prisão é questão de tempo. Não posso revelar o nome, pois
de alguma maneira isso pode prejudicar as buscas. Foi então que Ari pergunta
ao delegado, pois, segundo as informações que possuía, um animal teria
morrido junto no crime – E o cavalo? Onde entra nesta história? O delegado,
parando por um instante de uma “vinda”, reflete um pouco, e Ariovaldo
contando com a sorte necessária no jornalismo, escuta-o, indignado,
responder sem se dar conta – Cavalo? Que cavalo rapaz! Não é Cavalo. É Burro
o apelido do assassino! Por causa das orelhas...
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