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Era véspera de feriadão. Augusto, aproveitando a folga,
programou uma visita aos pais, que moravam em uma cidade a pouco mais de uma
hora e meia de ônibus. Chegou à rodoviária, e como sempre acontece nestas
ocasiões, as filas dos guichês para compra de passagem estavam lotadas.
Demorou cerca de vinte minutos para ser atendido. Comprou a passagem, porém,
o horário de partida do ônibus seria somente dali a uma hora. Resolveu,
então, sentar-se em uma pequena lanchonete para comer um pastel e tomar um
refrigerante.
Comprou um vultoso pastel de carne calabresa e um
refrigerante de dois litros, pois o único que gostava só tinha nesta
quantidade. Ficou a saborear o pastel e a tomar o refrigerante por uns
trinta e cinco minutos. Satisfeito, levantou-se e se dirigiu ao banheiro,
pois o um litro e meio de refrigerante que ingerira já estava fazendo
efeito.
Com a rodoviária lotada, o banheiro estava sendo bastante
utilizado. A fila iniciava na porta e ganhava uma boa extensão. Augusto
entrou na fila e ficou a esperar a sua vez.
Quando estava quase entrando no banheiro, e a vontade de
urinar era grande, Augusto olhou o relógio e viu que faltavam cinco minutos
para a partida do seu ônibus. Com medo de perdê-lo, pensou “Eu agüento” e
saiu da fila, rumando para o box de embarque.
Embarcou no ônibus e sentou-se na poltrona 33, ao lado da
janela. Na poltrona “do corredor”, uma senhora, com os cabelos fortemente
pintados de preto e uns óculos com lentes bastante grossas, lhe faria
companhia pela uma hora e meia de viagem que lhes aguardavam.
Passados quinze minutos de viagem, Augusto começou a sofrer
devido a grande vontade de urinar. A sua bexiga parecia ter enchido por
completo. Mesmo com dificuldades e gemendo um pouco, conseguiu averiguar que
o ônibus não possuía banheiro. Passando a mão pelo rosto, limpou uma gota de
suor e abriu a janela para entrar um ar, pois o ônibus também não tinha
ar-condicionado.
Certo alívio viera, mesmo com o olhar apavorado da senhora ao
seu lado, quando Augusto em um ato extremo, abriu o cinto e o zíper da sua
calça. Deixou escapar um “Ufa”, mas a sensação de “conforto” não durou
muito, pois parecia que a cada segundo mais lhe enchia a bexiga.
O tempo não passava. Também pudera, Augusto olhava de três em
três minutos para o relógio. O “aperto” já lhe causava dores na região da
barriga. Gotas de suor escorriam por suas frontes. Visto o desespero que se
encontrava, pensou em pedir para o ônibus interromper a viagem por um
instante para que ele pudesse urinar em um mato qualquer.
Com os olhos fechados, Augusto respirava profunda e
lentamente. Foi quando sentiu que o ônibus parara. Havia chegado ao seu
destino. Enfim, estava na rodoviária.
Mesmo em apuros, Augusto foi o último a desembarcar do
ônibus. Com cuidados, pois não queria que ocorresse qualquer acidente nas
calças, rumou até o sanitário mais próximo.
Ingressou no banheiro, viu uma “vaga” em aberto, fechou a
porta, levantou a tampa do vaso sanitário e:
- Aaaaaaaaahhhh!
Foi então que, enquanto desaguava uma “Cataratas do Iguaçu”,
Augusto viveu um momento filosófico no banheiro, quando ao olhar para
frente, viu escrito na parede a frase que lhe deixou vários dias a refletir
até entendê-la: “O futuro está em suas mãos!”.
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