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Foto: Divulgação

O filme "Sangue Negro", de
Paul Thomas Anderson, foi o centro das atenções no primeiro dia do 58º
Festival de Cinema Berlim, com um brilhante Daniel Day-Lewis encarnando a
maldade do capitalismo e outras questões polêmicas.
Anderson, Urso de Ouro por
"Magnólia" em 2000, mostrou que tem um senso de humor afiado. "Certamente
esperamos ganhar todos os Oscars, inclusive aqueles aos quais não estamos
concorrendo", disse o diretor, brincando com suas oito indicações ao prêmio.
"Sangue Negro", principal
concorrente de "Onde os Fracos Não Têm Vez", dos irmãos Cohen, na disputa
pelo Oscar, também não preza muito pela modéstia. Daniel Day-Lewis tem uma
ótima atuação e dá vida ao homem que quase morreu perfurando poços de
petróleo e que não se interessa pela integridade alheia. "Às vezes é
difícil, mas com Anderson cada um acaba encontrando o caminho para explicar
o que quer", disse o ator.
"Fazer um filme é como
perfurar um poço de petróleo. Não se sabe se sairá algo, mas continuamos a
perfurar, como se a vida fosse isso", afirmou o diretor.
"Sangue Negro" reflete um
capitalismo petrolífero cujo único princípio é o de iludir o homem do campo
e comprar sua terra a um preço muito baixo para poder extrair a
matéria-prima.
Segundo o filme, o negócio
funciona sob absoluta falta de escrúpulos e cresce como se fosse um pacto
com o diabo. O fanatismo religioso é encarnado no filme pela Igreja da
Terceira Revelação.
O filme de Anderson conta
com uma grande atuação de Day-Lewis, velho conhecido do Festival de Berlim -
que em 1993 ganhou o Urso de Ouro por "Em Nome do Pai", de Jim Sheridan.
"Sangue Negro" e Day-Lewis
foram os principais acontecimentos do primeiro dia da competição de Berlim,
que começou com a exibição do documentário sobre os Rolling Stones "Shine a
Light", fora de concurso.
Outros filmes que concorrem
ao Urso de Ouro já exibidos são "Zou You" ("In Love We Trust", em inglês),
do chinês Wang Xiaoshuai, trata do dilema de um casal que se separou há
anos, mas que agora se vê na missão de gerar um novo bebê para ser um doador
compatível com sua filha doente.
A produção finlandesa "Musta
Jää" ("Black Ice"), de Petri Kotwica, deixou a sensação de que, com exceção
da escolha de duas boas atrizes - Outi Mäenpää e Ria Kataja - , o filme não
reunia os requisitos para participar de um festival internacional, muito
menos de competir.
O fio condutor da história é
um triângulo amoroso sem grandes mistérios que acaba caindo no grotesco,
como se o roteirista realmente fosse improvisando antes de se decidir pelo
ponto final. (com agência Efe, em Berlim)
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