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Foto: Divulgação

É tempo de vingança para
diretor norte-americano Michael Moore, que há cinco anos foi vaiado na
premiação do Oscar por ter transformado seu discurso de vitória, pelo
documentário antiarmas "Tiros em Columbine", em uma denúncia contra os
absurdos da guerra no Iraque. Neste ano, três dos cinco candidatos ao Oscar
de melhor documentário são dedicados aos horrores do combate à violência no
Iraque e no Afeganistão.
Completando a lista dos
indicados estão a história de um grupo de crianças de Uganda que escapa de
um massacre e a abordagem um outro tipo de guerra, a dos doentes
norte-americanos contra o sistema de saúde do país, dirigido pelo próprio
Michael Moore.
"Os tempos claramente
mudaram", declarou, com ironia, o polêmico Moore.
A categoria de documentários
- nobre nos últimos anos por filmes polêmicos como o de Michael Moore e pelo
sucesso de "Uma Verdade Inconveniente", denúncia do ex-vice-presidente dos
Estados Unidos Al Gore sobre a ameaça das mudanças climáticas - é uma das
mais esperadas em 2008.
O filme "No End in Sight"
retrata, através de uma impressionante série de entrevistas com militares
norte-americanos e outros protagonistas do caso, os erros no planejamento da
invasão do Iraque e, sobretudo na obra de reconstrução por parte do governo
George W. Bush. Ao Iraque é dedicado também "Operation Homecoming", que usa
uma ampla coleção de mensagens enviadas pelos soldados norte-americanos no
fronte às suas famílias americanas para contar os aspectos mais dolorosos do
conflito.
O documentário mais difícil
de se ver, sobretudo para o público norte-americano, é "Táxi to the Dark
Side", de Alex Gibney, que conta a história de um motorista de táxi, Dilawar,
preso no Afeganistão pelas tropas norte-americanas e levado para a prisão de
Bagram, onde é espancado e torturado até a morte mesmo após a comunicação de
que é inocente das acusações de terrorismo.
Gibney, que já havia
realizado um aclamado documentário sobre a falência da companhia energética
norte-americana Enron, entrevistou inúmeros soldados que haviam participado
do espancamento do pobre taxista. "O verdadeiro objetivo dos terroristas é
levar as sociedades democráticas a renunciar a seus princípios de liberdade
e justiça. Neste caso alcançaram perfeitamente sua missão", observou Gibney.
O documentário "War/Dance"
escolhe um outro caminho para contar os erros da guerra e dos conflitos
mostrando um grupo de crianças de Uganda empenhadas na tentativa de
reconstruir suas vidas, através da música e da dança, após terem vivido uma
experiência atroz.
O último filme concorrendo
ao Oscar é "Sicko" que conta no estilo agressivo de Michael Morre as
peripécias dos pacientes norte-americanos lidando com a crueldade e o
cinismo do sistema sanitário de seu país, cuja ineficiência é mostrada com
ironia. O filme foi o único entre os concorrentes que obteve grandes lucros
para os produtores, acumulando mais de US$ 25 milhões em ingressos vendidos
nos cinemas americanos. Na segunda colocação ficou "No End in Sight" com
US$1,4 mihão.
Uma vitória no Oscar pode
apontar para todos os documentários na briga, com exceção talvez de "Sicko",
a possibilidade de multiplicar espectadores, além dos lucros, oferecendo
grande visibilidade ao autor e à mensagem do mesmo. (com Agência Ansa)
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