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Fotos: Divulgação

Atentem. O próximo Prêmio
Angelo Agostini de Mestre dos Quadrinhos Nacionais praticamente já tem
endereço: Sergio Morettini. Do contrário ele não teria saído de Buenos
Aires, onde nasceu, para se estabelecer no Brasil e há mais de 25 longos
anos participar como poucos da produção gráfica de humor e da animação que
fazemos aqui.
Nascido há 46 anos na
capital argentina, Sergio Raul Morettini vem desenvolvendo uma carreira
inabalável entre os criadores de histórias-em-quadrinhos e do desenho
animado brasileiro a tal ponto que pode ser considerado, à moda dos cartoons,
como "o Papa-Léguas" do lápis nacional. Sua velocidade em entregar trabalhos
encomendados, em criar projetos, em desenvolver roteiros cômicos, em
desenhar páginas e páginas, em arte-finalizar material quadrinístico o fez
trabalhar em praticamente todos os grandes e mais importantes estúdios (sem
exceção) de HQ e animação existentes no Brasil. Prova incontestável é o seu
Troféu HQ Mix 2001 de Melhor Revista de Quadrinhos Infantil, "Mico Legal",
que ele produziu sozinho quatro exemplares, foi o primeiro a entregar
material para o selo Graphic Talents, da Editora Escala, que bancou o
projeto pioneiro nesta década, e que contou com a colorização competente de
Alexandre Silva.

Morettini, dono de uma verve
que pode ser, por alguns, considerada um humor tipicamente britânico, ou com
leves toques portenhos, ele tem seus comentários muito precisos acerca de a
quantas anda a "indústria" do humor gráfico nacional, e de como tem se
comportado o binômio público leitor-desenhista neste País. "Um desastre",
seria uma afirmação tipicamente morettiniana. Sabendo que tudo o que ele
vivenciou nos estúdios pelos quais passou tem sido uma grande lição de vida,
onde Morettini pôde averiguar como ninguém os dois lados não só humanos como
profissionais de muitos colegas, é justamente para a carreira deste
cartunista muito brasileiro que nossa atenção tem que se voltar, caso
estejamos esperando o próximo, certo e seguro Mestre dos Quadrinhos
Nacionais pela comissão do Angelo Agostini.
"Mico Legal", a criação mais
importante do cartunista, tem uma história editorial bem sucedida, ao que o
próprio criador diria que não é bem assim, a não ser que alguma editora
realmente bancasse a continuidade do projeto, e que assim houvesse
possibilidade de emprego para muitos profissionais alijados do "mercado"
devido a distorções que vêm ocorrendo há décadas dentro do mundo editorial
brasileiro. Os personagens da série, que teve seus quatro exemplares
vendidos em banca com raro sucesso para um título não conhecido e pouco
divulgado – ou seja, foi o quesito qualidade e novidade o diferencial, bem
longe de bonecos de bochecha inchada ou com cabeças redondas a la Luis Sá –
são animais da mata atlântica brasileira, genuinamente nacionais, com piadas
e identidades nossas. O mesmo deve se processar novamente quando os
personagens chegarem finalmente ao desenho animado, próximo passo do
cartunista. Aliás, um passo há muito esperado.

Uma vez que neste País a
produção artística, em geral, não dá o menor valor a produtos culturais que
não possuam chancela oficial de leis de Incentivo ou de patrocínios de
empresas públicas de porte - ou seja, somos um País para o qual a iniciativa
privada realmente está entregue à míngua – ter um trabalhador braçal do
lápis e da criação cômica do quilate de um Sergio Morettini é praticamente
um luxo. Na HGN ele trabalhou em produtos televisivos para a Disney, em
outros estúdios participou de inúmeros comerciais também para a televisão,
ou aberturas como o do programa da Xuxa, para a Rede Globo, todos em
animação 2D. Este gênero de desenho animado, por sua vez, é alvo de opiniões
contundentes do desenhista. Morettini sabe que o gênero praticamente
encontrou o seu fim, entre nós, e que a substituição pela animação 3D
simplesmente terminou de matar, de enterrar os trabalhadores em 2D, a não
ser que se reciclem. Ou mudem totalmente de ramo.
Nesse quesito, o artista de
quadrinhos Sergio Morettini tem se aplicado. A mudança de rumos e de ramo,
deixando as páginas cômicas dos gibis para trabalhar em cartilhas
quadrinizadas proporcionou a ele múltiplos clientes, entre eles alguns muito
importantes como o Citibank, a TOK&STOK, o Metrô paulistano, a Serasa, a
Danone, entre tantos outros que receberam de seu rapidíssimo lápis
personagens variados, mascotes, adaptações as mais complicadas que Morettini
tratou sempre de traduzir magicamente para o público leitor. Tem sido há
quase dez anos jurado no Mapa Cultural Paulista, onde ajuda a ampliar o
espectro do desenho de humor no Interior de São Paulo, além de ter sido
também jurado de vários salões de humor brasileiros. Ilustrou diversos
livros, desde didáticos, paradidáticos, de ficção, infantis e materiais para
ensino específico, como nas apostilas sobre reiki. O desenhista também
desempenha funções de cunho humanístico e espiritualista como membro da
Sociedade Brasileira de Eubiose, de onde faz parte há mais de cinco anos.
Recentemente, começou a atuar como aplicador de reiki, tendo alcançado
rapidamente o grau de master.
Tudo, enfim, na vida
profissional de Sergio Morettini tem sido assim, rápido. A chegada dele ao
mundo da animação 2D e, logo em seguida, dos quadrinhos foi tão lancinante
quanto repentino. Todos reconhecem essa sua capacidade de criação, essa
versatilidade, a rapidez de desenho que sempre demonstrou. Na
matéria escrita para o site Bigorna há uma
mostra de como o artista tem trabalhado nos últimos anos, bem como no blog
Humorettini, onde há uma compilação feita
pelo próprio artista, em formato de portfólio virtual. Seja em shows como
"Cinema Volume 1 – Lado A", onde fala com propriedade do universo
cinematográfico de Hollywood, com suas estrelas e filmes, num rico jogo de
memória impressionante e muito ilustrado, seja nos trabalhos avulsos de
caricatura ao vivo – outro ramo para o qual Morettini praticamente prevê uma
coroa de flores -, o múltiplo talento deste desenhista nascido na Argentina
mas com alma extremamente brasileira vem a provar como também tem tudo para
ser um grau especial no mundo dos Quadrinhos Nacionais, pelo Prêmio Angelo
Agostini – o de mestre. Que não seja esquecido, ou seja, que seja
homenageado ainda em vida. Está dado o alerta.
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