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Foto: Divulgação

O
equivalente a 240,6 mil toneladas, 48,1 milhões de pneus que não prestam
mais para uso em automóveis, foram reciclados no Brasil em 2006.No mesmo
ano foram produzidas no país cerca de 54,5 milhões de unidades. Outras
28,6 milhões foram importadas, sendo parte comprada para reforma e venda
como pneus meia-vida.
Considerando que 18,7 milhões de peças foram exportadas no mesmo ano, fica
evidente a existência de um preocupante passivo ambiental de, pelo menos,
16,3 milhões de pneus de automóvel que poderiam ter sido dispensados na
natureza naquele ano.
É o que
destaca um estudo feito por Carlos Alberto Lagarinhos e Jorge Alberto
Tenório, do Departamento de Engenharia Metalúrgica e de Materiais da
Escola Politécnica (Poli) da Universidade de São Paulo (USP). O trabalho,
que apresenta as tecnologias utilizadas no Brasil para a reutilização,
reciclagem e valorização energética do produto, foi publicado na revista
Polímeros.
O estudo
também avaliou o passivo ambiental de 2002 a 2006, com base em dados
coletados em instituições como a Associação Nacional da Indústria de
Pneumáticos (Anip), o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) e o
Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis
(Ibama).
“Ao
calcular o número de pneus produzidos, importados, exportados e reciclados
nesse período, temos uma média de 14,9 milhões de pneus que teriam sido
gerados e descartados na natureza anualmente, uma vez que supostamente não
houve coleta e destinação correta desse material”, disse Lagarinhos.
O estudo
lembra que em 1999 foi aprovada no Brasil a resolução nº 258 do Conama,
que instituiu a responsabilidade do produtor e do importador pelo ciclo
total do produto. De acordo com a resolução, desde 2002 os fabricantes e
importadores de pneus no Brasil devem coletar e dar a destinação final
para as peças usadas, sendo os distribuidores, revendedores, reformadores
e consumidores finais também co-responsáveis pela coleta dos pneus
servíveis e inservíveis (que não têm mais uso em veículos). Estima-se que
um pneu leve mais de 500 anos para se decompor na natureza.
Segundo
Lagarinhos, um dos pontos positivos da resolução foi a criação do cálculo
que permite estabelecer o objetivo para a reciclagem de pneus, cujo
percentual precisa estar acima do nível de produção a fim de eliminar o
passivo ambiental existente.
“De 2002
a 2006, apenas no primeiro ano foi atingido o objetivo de reciclagem do
Conama. Ou seja, de cada quatro pneus produzidos, um foi reciclado,
atingindo o índice de 25% estabelecido pela resolução”, disse.
Para
2003, 2004 e 2005, a resolução nº 258 estabeleceu que o índice aumentaria,
respectivamente, para 50%, 100% e 125%, porcentagem que se mantém até
hoje. Ou seja, atualmente, de cada quatro pneus produzidos em todo o país,
teoricamente é preciso reciclar cinco unidades, deixando de jogá-las no
meio ambiente.
Economia com a reciclagem
O estudo
aponta ainda que, de 2002 a 2006, foram recicladas 805,2 mil toneladas de
pneus inservíveis no Brasil, o equivalente a 161 milhões de peças.
A
quantidade reciclada, em unidades ou peso, é reportada anualmente pelas
empresas de reciclagem e associações ao Ibama por meio do Relatório Anual
de Atividades do Cadastro Técnico Federal (CTF). No caso dos pneus
importados, a reciclagem de pneus antecede a liberação dos pneus novos
importados.
“A
resolução nº 258, apesar de estar em vigor e subsidiar a aplicação de
multas pelo Ibama aos fabricantes de pneus e empresas que não cumpriram as
metas de reciclagem, está desde 2005 em avaliação pelo instituto, seguindo
o cronograma previsto no documento que a criou”, explicou Lagarinhos.
Entre as
vantagens da recapagem e recauchutagem de pneus estão o emprego de apenas
25% do material utilizado na fabricação de um pneu novo e a economia de 57
litros de petróleo por pneu reformado. “Isso representa uma economia de
798 milhões de litros de óleo diesel por ano ao Brasil”, disse.
Segundo o
pesquisador, na Europa 20% dos veículos de passeio e utilitários, 50% da
frota de caminhões e 98% dos aviões das linhas aéreas internacionais
utilizam pneus remoldados. No Brasil esse mercado está crescendo e, em
2006, foram produzidos 2,4 milhões de pneus remoldados.
Ainda são
escassos, segundo Lagarinhos, os estudos sobre o volume de pneus
produzidos, reciclados e dispensados na natureza no Brasil. “Calcula-se,
segundo dados da literatura científica, a existência de pelo menos 100
milhões de unidades descartadas no meio ambiente. Esse número leva em
conta toda a produção da indústria de pneus, desde sua implementação no
país no fim da década de 1930”, apontou. O descarte de pneus usados chega
a atingir, anualmente, a marca de quase um bilhão de unidades em todo o
mundo, segundo dados da Associação Japonesa dos Fabricantes de Pneus
Automotivos. (AF)
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